A urussanguense Antônia Eduardo, de apenas 7 anos, teve sua vida completamente mudada há pouco mais de um ano. No final de 2021, Antônia apresentava pequenos sinais, que apesar de chamar um pouco a atenção dos pais, eles não imaginavam o quão complicado poderia ser. Em janeiro do ano passado, após uma noite difícil no qual passou mal, Antônia recebeu o diagnóstico de Diabetes tipo 1. Desde então, a rotina da menina e de sua família mudou completamente. Mesmo com as mudanças, a vontade e a essência de ser criança não mudou.

Para a mãe de Antônia, Rita de Cássia Soares Eduardo, o início foi complicado, já que a descoberta virou a vida de “cabeça para baixo”. Os sintomas começaram a aparecer em outubro de 2021, quando Antônia começou a perder peso. “O Diabetes é uma doença muito silenciosa, então a gente teve muita culpa no início”, conta a mãe. O verão daquele ano decorreu de forma normal. Rita conta também que a filha dizia sentir muita sede, e em alguns casos, urinava na cama. “A gente achava que ela estava querendo chamar atenção com alguma coisa. Em nenhum momento a gente imaginava o que era por trás disso”, destaca.

Por conta da sede, a família pensava que era devido ao fato que Antônia brincava muito, sempre correndo. “Algumas vezes eu pensei ‘aí, está com vermes’, ‘vou chegar em casa e vou levar ao pediatra’, coisas normais de mãe. Não tinha febre, não tinha dor, não tinha nada, então tinha saúde, corria e brincava”, relata a mãe. Outro sinal que Antônia se queixava é que às vezes a visão ficava embasada, no qual a família pensava que eram problemas na visão. “Isso eram já os sintomas da diabete dela alta, e a gente não sabia”, ressalta Rita.

O dia 3 de janeiro de 2022 foi marcado por mais sintomas da Diabetes. “A Antônia começou a passar mal, em uma noite ela começou a sentir sintomas tipo de uma virose: vômito, dor de barriga, ficou para baixo, e no finalzinho assim, começou com um pouquinho de falta de ar”, lembra. No início, os médicos suspeitaram que era uma crise asmática, mas após um quase desmaio e com o relato dos sintomas de meses, Antônia foi diagnosticada com Diabetes tipo 1. Após dez horas aguardando uma vaga, a menina deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) porque o nível de açúcar no sangue estava muito alto.

Foram seis dias de internação na UTI, e mais 12 dias em leito normal, no hospital em Tubarão. “A gente só pode sair do hospital depois que aprende a aplicar a insulina”, afirma Rita. Após esse período, a família precisou passar pela readaptação. “O que eu sempre achei mais difícil é que uma criança, que hoje não aprende comer o açúcar desde que nasce, é uma coisa. Mas uma criança que já sabe o gosto de uma bala, e de repente não pode mais comer nada, é outra coisa”, destaca a mãe de Antônia.

Apesar da dificuldade, tudo foi adaptado para que a qualidade de vida não fosse afetada. “A gente vive normal, a gente vai na festa normal, sai normal, viaja normal, tudo adaptado, sempre buscando o melhor para ela, sempre indo atrás de receitas”, fala a mãe. “O que acontece quando alguém oferece uma bolacha recheada, um doce, como é que funciona”, pergunta Rita à filha. “Eu sempre falo uma eu posso, para matar a vontade”, responde Antônia.

A menina Antônia e a sua mãe Rita participaram de uma entrevista especial do programa Ponto de Encontro. A família é moradora do bairro Baixada Fluminense, em Urussanga. A mãe Rita alertou sobre os sinais, a mudança de vida e o tratamento contra a Diabetes tipo 1 realizado na filha, além de outros pontos. Ouça na íntegra:

 

No Diabetes tipo 1, as células responsáveis deixam de produzir a insulina no pâncreas. A insulina é um hormônio que atua na metabolização da glicose, que é o açúcar no sangue, produzindo energia. “Essa doença está dormindo, e em algum momento da vida ela vai acordar. Geralmente são em crianças e adolescentes”, explica a mãe. Por não produzir a insulina, é necessário a sua aplicação no organismo. Antônia precisa fazer a aplicação toda vez antes de comer, além de uma basal ao acordar, totalizando de seis a sete aplicações por dia.

Antônia tem a sua diabete monitorada 24 horas através de um dispositivo que fica em seu braço. Através de um aplicativo de celular, os pais sabem quando a diabetes está baixa ou alta. Em ambos os extremos, o celular emite notificações alertando sobre a situação. Além dos pais, Rita e Juliano, e de Antônia, os professores e os médicos também podem verificar como está o nível da diabete. O dispositivo usado facilita muito no dia a dia. “Com esse aparelhinho a gente evita as furações de dedo. Se ela não usar ele, a gente tem que furar o dedo todas as refeições para ver quanto está a diabete dela”, esclarece Rita.

Confira a entrevista em vídeo e veja também sobre o dispositivo que Antônia utiliza:

A mãe de Antônia ainda destaca toda a rede de apoio que a família possui para o tratamento do diabetes tipo 1, que não tem cura. Seja a própria família, professores ou amigos de escola, todos se preocupam com Antônia.  “Os amigos se preocupam, os amigos querem ver ela aplicar, ela aplica na frente dos amigos, escuta as amiguinhas falando que a avó tem, a tia tem. Então eu sempre coloco para ela que ela não é diferente de ninguém, que ela vive normal”, frisa Rita.

Para Antônia, que sonha em ser boiadeira e veterinária quando crescer, a aplicação de insulina não dói. A mãe Rita ainda destaca sobre a importância da tecnologia na medicina, no qual existe o tratamento, e ele pode ser monitorado na palma da mão. “Hoje ela tem um remédio para sobreviver. Em estudos antigos, onde ainda não existia insulina, uma criança morria de fome, porque ela não comia para o diabetes não alterar, ou morria desnutrida sem insulina. Então hoje a gente tem o remédio, e está aqui”, reforça.

“O que eu busco, o que eu quero passar para todas as pessoas, é a ajuda. Hoje eu vejo isso como uma missão que Deus me deu. No começo a gente não entende. Por que essa doença veio para ela? Por que para mim? Por que para minha família? Mas a gente entende que temos uma missão e essa é a nossa, a gente está junto com ela, ela vai crescer com saúde, vai crescer com esse pensamento. Ela falou que quer ser boiadeira e veterinária, eu acredito que ela vai querer. Pelo o que eu vejo na Antônia, ela vai ser uma médica sim, vai ajudar muitas pessoas que precisam dela”, fala a mãe Rita.