O Sul do Brasil tem tido um comportamento climático muito discutido e alertado pelos especialistas nos últimos anos, especialmente o estado do Rio Grande do Sul. As fortes chuvas que atingiram o estado em maio do ano passado são um exemplo disso. Porém, para o climatologista e professor Anderson Ruhoff, essas alterações climáticas já são observadas há mais de cinco anos. “De 2019 a 2023, nós tivemos secas muito fortes aqui no Rio Grande do Sul, então do ponto de vista da agricultura, foi um prejuízo muito grande, perdas de safras, e realmente choveu muito pouco, especialmente por causa do fenômeno La Ninã. E aí nós tivemos uma mudança muito rápida em 2023, basicamente por uma condição do El Ninõ e, seguido desse período muito seco, nós entramos, basicamente, em dois anos de chuvas muito intensas”, comenta.
O especialista frisa que, em dois anos, enchentes foram registradas no estado gaúcho, sendo a pior em maio de 2024. Anderson explica que o Rio Grande do Sul, assim como Santa Catarina, estão posicionados em uma latitude onde são mais afetados pelos fenômenos La Ninã e El Ninõ. “Isso é uma questão, assim, que está se mostrando, eu diria, como podem ser os próximos anos ou as próximas décadas, com efeitos bastante graves sobre os nossos estados”, avalia. Ruhoff ainda observa que, nos últimos anos, as precipitações têm sido mais extremas em vários lugares. “Agora não é mais 30 milímetros, 40 milímetros, a gente está falando de 100 milímetros e, em alguns casos aqui, nós fomos 200 milímetros até em um dia. Isso está se repetindo em muitos locais. Isso é reflexo exatamente de um planeta que está mais quente”, explica.
Nesse ponto do planeta estar mais quente, Anderson esclarece que os oceanos também estão mais quentes. Isso significa que há maior evaporação de água. “Esse é o padrão, eu diria assim, que nós temos verificado nos últimos dois anos e, ao mesmo tempo, parece que o ciclo hidrológico, a atmosfera, está se intensificando, se acelerando em termos de circulação”, comenta. O especialista reforça que esse padrão já era esperado, porém, em um futuro mais distante, não agora. “Esse padrão, eu diria que ele chegou muito antes do que a gente estava, de fato, esperando, então tem um pouquinho de, eu diria assim, de incertezas na questão das projeções, até na própria previsão do tempo. A gente está vendo que está mais difícil de a gente conseguir acertar esses volumes, especialmente quando a gente está falando de eventos extremos”, conta. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista, entenda:
O climatologista ainda explica que os efeitos das mudanças climáticas não são observados ao mesmo tempo em todo o mundo. O especialista cita como exemplo a COP30, que vai acontecer em novembro no Brasil. No evento, países discutem as mudanças climáticas e traçam objetivos e metas para minimizar seus efeitos. “Muitas vezes se espera que os países avancem em termos de mitigação de emissão de gases, diminuição de gases de efeito estuda, mitigação de problemas e até avanços, mas isso, muitas vezes, significa que os países têm que abrir mão de desenvolvimento econômico e, muitas vezes, acabam gerando conflitos a partir disso”, diz. “A gente precisa tomar decisões que vão ocorrendo em uma escala global, de como os países vão assumir esses compromissos, mas, ao mesmo tempo, a gente tem que pensar localmente também e buscar formas de diminuir os impactos desses eventos”, acrescenta.



































