Embora não tão discutido quanto os outros tipos, os casos de câncer de pênis têm atingindo estatísticas alarmantes nos últimos anos. “Hoje reconhece-se que o Brasil é o segundo país no mundo em incidência, que são identificações de novos casos de câncer de pênis, com aproximadamente 400 a 500 mortes por ano e com mais de 600 cirurgias multilantes por ano. O câncer de pênis é um problema de saúde pública”, destaca o doutor Vinicius Meneguette, membro da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). De acordo com o especialista, é fundamental ter o autocuidado com a higienização do pênis, principalmente para os homens que possuem pele na ponta do órgão, popularmente conhecida como fimose.

Diferente do câncer de próstata, em que há fatores genéticos envolvidos, o câncer de pênis é uma doença totalmente evitável. “A gente tem como medida de prevenção principal, ampla e difundida no sistema público: a vacina contra o HPV, que deve ser aplicada nos jovens, meninos e meninas de 9 a 14 anos, e a higiene associada com os cuidados de limpeza do pênis. Para homens com fimose, que é aquela pele na ponta do pênis, toda fechada, recomenda-se considerar a busca do urologista para fazer o tratamento cirúrgico”, explica. Segundo o especialista, sabe-se que esse tipo de câncer é mais frequente em homens idosos, provavelmente por conta do esmegma, ou sebo, acumulado no órgão. “Homens jovens menos frequentemente têm câncer de pênis, mas eles não estão totalmente protegidos desse risco”, salienta.

Assim como o câncer de colo de útero nas mulheres, lesões no órgão genital podem ser precursoras do surgimento do câncer de pênis em homens. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o doutor Vinicius no programa Ponto de Encontro. Ouça:

 

O urologista reforça ainda que, além de prevenir um câncer de pênis, a higiene correta do órgão evita outros problemas, como inflamações e proliferação de fungos. No caso do câncer, homens com fimose têm dificuldades na higienização. “Acabam não tendo a devida atenção à saúde, não permitindo que esses homens percebam pequenas lesões que são precursoras do câncer maligno mais grave e acabam não sendo identificadas e devidamente tratadas, se tornando uma doença mais grave, agressiva e que gera mutilações nesses homens”, conta. “Quando a gente precisa remover partes do pênis, isso já é um sinal de uma doença mais grave, avançada e, pelos dados, sabemos que, infelizmente, homens morrem por conta dessa doença que é totalmente prevenível”, acrescenta.