O Abril Azul é uma campanha que tem o objetivo de conscientizar a população sobre o autismo. Estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), a causa também busca gerar mais visibilidade para o diagnóstico do transtorno. De acordo com Rodrigo Brunel, representante do Autismo na Prática, a maioria das pessoas lembra do autismo em situações de agressividade. “Eu tenho alunos com autismo que têm altas habilidades, tem uma criança que canta, dança, pratica esporte, ela tem uma alta funcionalidade no dia a dia em contas, em números, em linguagens estrangeiras”, ressalta. “O que o pai precisa fazer é parar de comparar o filho dele com o filho da vizinha, essa é a ideia, quando ele começa a olhar para dentro do próprio filho, aí ele começa a trabalhar na individualidade, sem fazer essas comparações, porque se fazer a comparação, eu digo que a criança não vai evoluir”, acrescenta.

Para o especialista, é ideal que a família contribua para o desenvolvimento da criança e de sua qualidade de vida. “Muitas vezes o pai vai prender ela dentro do quarto, no sentido figurado, vai prender dentro daquela bolha e não vai levar ele mais para nenhum lugar, meu filho vai ser a vida inteira assim. Mas quando o pai, quando a mãe tem um diálogo com a própria família, estão dispostos a fazer o que precisa ser feito para ajudar o seu filho a ter uma melhor qualidade de vida, as coisas começam a fluir com mais facilidade”, destaca. O assunto foi abordado em entrevista, ouça:

 

Rodrigo ainda comenta que é essencial buscar um diagnóstico para o autismo. Caso ainda não haja um, o recomendado é que a família busque tratamentos para possíveis sinais, como dificuldade de comunicação, por exemplo. “Porque quanto mais cedo eu buscar esse direcionamento, melhor vão ser os resultados”, salienta. “Quando a gente começa a proporcionar a ele mais independência e autonomia, começa a trabalhar nele aspectos sociais, levar para rua, fazer uma caminhada, praticar um esporte, ter convívio social, começa a olhar para ele não só como um autista, como uma criança que tem uma certa necessidade, mas como um ser humano que ele é hoje, criança, daqui a pouco adolescente, daqui a pouco está na fase adulta (…) o resultado vai vir, vai melhorar a própria qualidade de vida, vai melhorar o desenvolvimento dele”, frisa o especialista.