Após dias sem comunicação e vivendo momentos de incertezas, a paraibana Silvana Pilipenko conseguiu chegar ao Brasil depois de fugir da guerra na Ucrânia. A artesã, o esposo ucraniano Vasyl Pilipenko e a sogra Yula chegaram em João Pessoa (PB) no último domingo, dia 10, após viverem mais de 30 dias em situação de conflito com os ataques das tropas russas. A família vivia em Mariupol, quando a cidade começou a ser atacada. “A minha família ficou muito preocupada a partir do momento que nós ficamos sem comunicação, nós não tínhamos internet”, relatou Silvana em entrevista ao programa Ponto de Encontro.

“Nós tínhamos uma vida relativamente normal, uma vida tranquila, a cidade que nós morávamos tinha de 400 a 500 mil habitantes. Era uma cidade tranquila, uma cidade pacata, um comércio razoavelmente bom, mas nada de extraordinário e nós jamais esperávamos que uma cidade como aquela pudesse sofrer algum ataque”, comentou. Silvana ainda explicou que a cidade em que morava era localizada próximo a uma área que sofre de conflitos desde 2014.

A brasileira contou que saiu de casa para ir buscar água em um rio, quando retornou, uma pessoa do resgate afirmou que a família tinha 15 minutos para sair do apartamento por causa dos bombardeios. Silvana pegou apenas os documentos e os medicamentos de urgência da sogra, de 87 anos, indo embora somente com as roupas do corpo. A artesã conta que no início a sogra não queria sair da Ucrânia. “Aí o meu esposo falou: você quer que o seu filho morra com a sua nora aqui?”, afirmou.

Confira o depoimento na íntegra:

 

A família chegou ao Brasil após 32 dias de conflitos. O Governo da Paraíba se comprometeu em ajudar Silvana, o esposo e a sogra com consultas médicas, exames e um trabalho para Vasyl, que busca emprego no país. Vasyl é engenheiro naval e capitão de navio, onde, de início, tentou uma vaga no Porto de Cabedelo, mas devido a alta qualificação dele, ficou difícil de encontrar um cargo. Silvana não pode trabalhar porque precisa ajudar a sogra, que possui problemas de saúde e não se comunica em português.

Silvana ainda afirmou que prometeu a sogra que, após a guerra acabar, irá retornar para a Ucrânia. “Não é pelo o que deixamos, mas por quem nos preocupamos. Nós criamos um vínculo na rua toda, e todos nos conhecemos, todos nos ajudávamos e todos éramos solidários. Então quando eu saí de lá eu me senti um pouco culpada porque eu não podia socorrer outras pessoas, eu não podia trazer outras pessoas comigo, porque eu já estava sendo recolhida, eu já estava sendo resgatada”, relatou.