A Reserva Biológica do Aguaí, localizada entre a Serra e o Sul catarinense, possui uma rica biodiversidade de extrema importância para a região. De acordo com o biólogo Juliano de Mattos Emmerick, do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Santa Catarina possui dez unidades de conservação, sendo três reservas biológicas e sete parques. “A nossa unidade de conservação aqui é uma Reserva Biológica, ela tem uma categoria bastante restritiva que só permite educação ambiental, fiscalização e pesquisa no seu interior. Então, não é possível fazer o uso público daquele local”, contou o especialista. A Reserva Biológica do Aguaí é a maior do estado, abrigando muita biodiversidade da Mata Atlântica. Além da serra, a reserva está presente nos municípios de Morro Grande, Nova Veneza, Siderópolis e Treviso.

O biólogo ressaltou que a reserva é um estoque de natureza. Isso porque, ao contrário de outras reservas, a do Aguaí não pode ser suprimida, ou seja, não pode ter ação direta do homem, a não ser para fins de conservação. “É um local que as próximas gerações vão conseguir encontrar esses animais que hoje ainda vemos por aqui”, disse, acrescentando que um desses animais é o Puma concolor, conhecido também como onça-parda, leão-baio ou puma. Recentemente, o animal foi avistado em comunidades do interior de Cocal do Sul e de Urussanga. “É importante esse trabalho do Instituto Felinos do Aguaí para mostrar que o animal só está tentando sobreviver, ele dificilmente ataca pessoas em situações normais, a não ser que ele esteja acuado, isso aí qualquer animal entraria em luta quando acuado”, comentou.

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Segundo Juliano, a Reserva Biológica do Aguaí também conta com árvores nativas, mas que possuem certa raridade, inclusive algumas consideradas ameaçadas de extinção. É o caso do palmito-juçara, canela-sassafrás, cedro e peroba. “Ao longo do tempo elas foram raleando nas nossas matas e, hoje, qualquer indivíduo dessas espécies são especialmente protegidos. Inclusive, nas supressões de vegetação que são autorizadas pelo Estado, pelo IMA, elas têm uma compensação especial. Vamos dizer se você corta uma canela, você tem que plantar dez canelas no lugar, então isso garante que essa espécie não vá se extinguir aqui na nossa região”, explicou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com Juliano no programa Ponto de Encontro. Ouça:

 

Os profissionais da reserva recebem grupos de estudantes para trabalhos de educação ambiental. Segundo Juliano, isso acontece principalmente com as escolas de municípios que ficam ao entorno da reserva, como Criciúma, Içara, Urussanga e região. O biólogo explicou que esse trabalho é realizado em duas etapas: na própria escola, com palestras; e a parte prática, com um passeio na reserva. “Nos encontramos na sede do Instituto Felinos do Aguaí, que fica bem próxima à entrada da Trilha dos Tropeiros, fazemos sempre uma instrução ali, porque adentrar em uma área natural há sempre riscos, por mais acompanhados que estejamos e tal”, contou. Esse passeio com os alunos dura em média 45 minutos, retornando pelo mesmo caminho. “Essa trilha vai sair em Bom Jardim da Serra e demora horas para a gente fazer. Então, com os pequenos, a gente faz um pedacinho da trilha para eles entenderam o contexto, de como é a Mata Atlântica”, explicou.

Sobre a Trilha dos Tropeiros, o biólogo esclareceu que ela possui trechos existentes há muitos anos, desde a época do tropeirismo. “Ela é uma trilha histórica, anterior inclusive a criação da reserva, que foi criada em 1983”, disse. Embora a categoria de reserva não permita a realização de trilhas, algumas pessoas percorrem o trajeto até a serra. “Ao invés de a gente entrar em confronto e fechar a trilha, eu acho que o caminho mais interessante, inclusive para a conservação, é a gente transformar de reserva, que não permite uso público, para parque, que permite uso público. Porque, ao contrário do que alguns vão pensar, não vai diminuir a proteção ambiental, porque no parque a gente faz uma coisa que é o zoneamento. Então, existem as zonas intangíveis, onde ninguém pode entrar, e existem as zonas de uso público. Então, a gente vai dar categoria de uso público exclusivamente para a dos Tropeiros, que é onde já há uso público, só que sem regulamentação”, avaliou.

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