A cirurgia bariátrica ainda desperta medo e dúvidas em muitas pessoas, especialmente por conta das técnicas utilizadas décadas atrás. O doutor Julio Cesar Cechinel Filho, cirurgião e médico do emagrecimento, destacou que muitas técnicas foram modificadas ao longo dos anos. “Hoje a abordagem de uma cirurgia bariátrica passa muito longe de como era antes. Não tem como eu tentar botar na cabeça das pessoas isso. É apenas uma consulta explicando para ele que essa redução de estômago, que é feita hoje, é diferente de antigamente”, comentou. Conforme o especialista, anos atrás, a lógica do procedimento era fazer com que a pessoa comesse menos. Porém, a cirurgia acabava levando o paciente a absorver menos nutrientes também. “Nós temos técnicas, por exemplo, que eram o marco da cirurgia bariátrica, elas eram muito boas, emagrecia muito. E o foco era emagrecer, o foco não era pensar nas consequências. Depois que você fazia, você pensava nas consequências, você analisava. Tinha gente que tinha que se entupir de vitamina o resto da vida, inclusive na veia, no músculo”, observou.

Embora essas técnicas continuem no rol de procedimentos do Conselho Federal de Medicina, o doutor Julio salientou que menos de 1% delas são usadas atualmente. “O pensamento do paciente ainda é nessas situações que ocorreram antigamente”, falou. Para o especialista, a função do próprio cirurgião mudou ao longo dos anos. “Não basta eu só fazer cirurgia bariátrica. É uma doença crônica incurável. Então, se eu faço um planejamento com o paciente com acompanhamento de seis, de 12, de 24 meses e o cara está do meu lado, é mensal a consulta, a gente pega junto, o cara vai estar bacana”, mencionou. “Eu tenho raros pacientes com aquele aspecto que tu diz que tem cara de bariátrico. Eu tenho muitos pacientes que dizem assim ‘doutor, não dizem que eu fiz bariátrica, as pessoas acham que eu não fiz bariátrica'”, comentou.

A nível mundial, a cirurgia bariátrica foi criada levando em consideração o Índice de Massa Corporal (IMC). O cálculo se baseia no peso do paciente dividido duas vezes pela altura. “Antigamente ele era uma obrigatoriedade, hoje ele é um norte”, disse. Porém, conforme o especialista, o IMC não é o único fator observado em uma consulta. Isso porque é necessário analisar o percentual de massa gorda e massa magra, ou seja, as quantidades de gordura e músculo que o paciente possui. “Tem que entender que perder peso e emagrecer não são as mesmas coisas. Emagrecer é perder gordura. No mundo ideal é isso que a gente quer. Perder peso é perder qualquer coisa. Se eu perder a minha perna, eu perdi peso, porque minha perna pesava”, analisou. O doutor exemplificou usando o próprio caso. “O meu perfil de gordura hoje é 13%. Eu estou acima do peso no Índice de Massa Corporal por excesso de músculo, porque eu faço bastante academia, faço musculação há muito tempo. Então eu ganho massa magra e o músculo pesa”, disse, acrescentando sobre a bioimpedância que é realizada durante uma consulta com o especialista, no qual é analisado toda a composição corporal da pessoa.

O doutor Julio Cesar falou mais sobre o tema em entrevista ao programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e entenda mais:

 

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