Os desdobramentos das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm afetado associações que não fazem parte do grupo que descontava mensalidades de forma irregular dos aposentados e pensionistas. Isso porque, com a Operação Sem Desconto, o INSS suspendeu os acordos de cooperação técnica com todas as associações, sindicatos e entidades e, consequentemente, os descontos automáticos de milhões de beneficiários, mesmo que eles tivessem sido autorizados de forma legal. Dessa forma, muitas associações estão sendo impactadas, como é o caso da Associação de Aposentados e Pensionistas de Urussanga. “O que nos deixou bastante preocupado é que todos foram colocados no mesmo balaio, os ruins e os bons, e os bons estão pagando as consequências dessas pessoas que fizeram essas coisas de errado”, comentou o vice-presidente da associação, Clézio Freccia.
Atualmente, a associação conta com aproximadamente 1.650 sócios aposentados. “Eram descontados 1% do salário. Esse desconto já era automático, o INSS descontava lá, transferia para a Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas), a Cobap transferia para a Feapesc (Federação dos Aposentados de Santa Catarina) e a Feapesc transferia para a associação”, explicou Clézio. “Chegava um valor líquido aqui para nós, que é o que a gente trabalha no mês a mês”, acrescentou. Com a operação que resultou na suspensão de todos os descontos, as associações não estão recebendo mais esse valor, que é destinado para a manutenção dos trabalhos. “A gente está bastante preocupado com essa situação, bastante mesmo. Por isso que a gente está trabalhando para ajudar e tentar resolver essa situação para que lá em cima eles consigam reverter essa situação e as entidades que foram citadas aqui, com esses problemas, que voltem a receber o dinheiro devido”, reforçou.
De acordo com o presidente Manoel João da Silva, a associação de Urussanga tem uma arrecadação de aproximadamente R$ 30 mil. Porém, as despesas mensais são superiores a esse valor. “A gente procura trabalhar para que consiga arrecadar fundos para manter sem ter que pagar juros com um saldo negativo”, disse. “Se essa decisão não se reverter com relação às associações que não têm problema nenhum com o INSS, com certeza a nossa associação, hoje está numa situação bem pior que as outras, se nada disso acontecer, se nada for revertido, é bem provável que a gente tenha que fechar a associação”, afirmou. O presidente ainda destacou para que os aposentados paguem suas mensalidades diretamente para associação, já que não ocorrerá, por enquanto, o desconto direto pelo INSS. “Para que a gente possa manter a associação aberta e dando assistência a todos os aposentados que nos procuram”, frisou Manoel.
O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Comando Marconi com o presidente Manoel e com o vice Clézio. Ouça mais na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Os representantes ainda afirmaram que a associação tem recursos financeiros para continuar com os trabalhos até o próximo dia 10. “A partir do dia 10, a gente não tem mais recurso”, alegou Clézio. O vice-presidente também comentou sobre o projeto que foi aprovado na Câmara de Vereadores e que deve ser assinado pela Chefe do Executivo nos próximos dias. A iniciativa prevê que a associação de Urussanga se torne utilidade pública. “Sendo de utilidade pública, a gente consegue recursos estaduais e federais. Então a gente não está, assim, esperando que venha dinheiro só da federação, a gente está indo atrás de outros recursos para que a gente possa deixar a associação assim sempre numa situação cada vez melhor”, explicou Freccia.


































