A sessão da Câmara de Vereadores de Urussanga dessa terça-feira, dia 18, foi marcada por uma situação atípica. O então secretário de Assistência Social, Braz Cizeski, interrompeu a reunião e iniciou uma discussão com o vereador Luan Varnier (MDB). A situação ocorreu quando o José Carlos José (PP) fazia uso da tribuna. O caso fez com que todos os vereadores expressassem apoio ao Luan. Além disso, o Legislativo emitiu uma nota de repúdio sobre o acontecimento. Varnier chegou a registrar um Boletim de Ocorrência. No fim da manhã desta quarta-feira, dia 19, a prefeitura de Urussanga emitiu uma nota informando que o prefeito Jair Nandi (PSD) exonerou o secretário Braz.

Momentos antes do caso, a vereadora Izolete Duarte Vieira (PP), que já foi secretária de Assistência Social, falava sobre os serviços da pasta. O vereador Luan pediu uma parte e repassou uma informação sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. “Só para contribuir com Vossa Excelência, essa informação com relação ao Centro de Convivência é super importante a senhora tá abordando porque foi contratada uma coordenadora para que trabalhe nessa área para coordenar esse Serviço de Convivência, no dia 28 de maio, o salário passa-se de cinco mil e meio só que não tem, o que ela está coordenando? Até estive hoje na Secretaria de Assistência Social para tentar entender. Você contrata um coordenador, mas não há o que coordenar, o projeto não existe. Ainda estão buscando uma empresa para fazer esse tipo de trabalho. Mas se você terceiriza o trabalho, para que contratar um coordenador?”, alegou Luan durante a sua fala na reunião da Câmara, minutos antes de Braz aparecer no local e iniciar a discussão.

Em entrevista para a Rádio Marconi, Luan explicou que esteve na secretaria na tarde dessa terça-feira para conversar com Braz e com a nova coordenadora do projeto. O vereador afirmou que não obteve as respostas que queria. “Até iria abordar esse assunto na tribuna, mas acabou me chegando outra pauta de Saúde, e aí acabei falando sobre saúde, aí a vereadora Lete falou sobre essa pauta, acabei complementando com ela”, disse. “Só que durante a sessão, os próximos vereadores foram para a tribuna, o vereador Zé Bis subiu na tribuna, quando eu vejo, chega por trás, sem que eu tenha oportunidade de me defender, colocando totalmente a minha vida em risco, a minha segurança, lembrando que eu estava no meu horário de trabalho, eu estava trabalhando, não é uma calúnia, não é uma difamação, é um desacato à autoridade”, contou Luan. “Fui chamado de demagogo, de mentiroso, me falou por trás, sem que eu tivesse oportunidade de me defender, aos gritos, totalmente descontrolado, em tom de ameaça, disse que eu iria ver que o recado foi dado, coisa de coronel, mas não tenho medo de coronel”, acrescentou.

Varnier ainda destacou que espera que o prefeito Jair Nandi tenha sensibilidade sobre a situação. “Eu não aceito somente pedidos de desculpas. O que eu quero realmente é que as pessoas não tenham à frente de uma gestão alguém que esteja descontrolada e que não consiga aceitar qualquer tipo de crítica. Quem está na função pública é preciso respeitar as opiniões e respeitar as pessoas. Afinal, todos nós somos pagos com dinheiro público, com dinheiro do contribuinte. O que não pode acontecer é o que aconteceu comigo, que amanhã pode acontecer com outro, que é um desrespeito na hora que você está fazendo o seu trabalho”, salientou.

O programa Comando Marconi abordou mais detalhes do episódio em entrevista com o vereador Luan, com o ex-secretário Braz, que destacou seu ponto de vista, e com o presidente do Legislativo, vereador Fabiano de Bona (PL). Entenda mais sobre a situação na íntegra:

 

Na sua fala em entrevista, o ex-secretário Braz pediu desculpas publicamente ao vereador Luan e a toda a comunidade. “A minha atitude não foi positiva. Também quero ter a oportunidade de me retratar junto à Câmara de Vereadores, aos vereadores, porque a minha atitude não foi uma atitude positiva”, afirmou. “Sempre trabalhei e trabalho e pauto as minhas atitudes pela correção, pela ética, pela moral, pela honestidade e isso ninguém vai tirar de mim. Também tenho os meus trabalhos prestados à sociedade. Mas eu quero, assim, o que importa nesse momento, para que eu fique tranquilo com a minha consciência, perante a sociedade, dar esse testemunho de que eu errei, tive uma atitude indevida, então retiro, quero retirar o comportamento, retirar as palavras que eu direcionei ao vereador Luan, que aliás é uma pessoa que a gente sempre teve um relacionamento de amizade, de respeito, nunca tivemos problema nenhum”, complementou.

Braz alegou que, em momento nenhum, ameaçou o vereador Luan. “Eu dirigi duas palavras e essas duas palavras, esses dois adjetivos, eu estou publicamente já aqui então retirando porque eu não concordo com o que eu falei”, afirmou. “O vereador ontem foi nos procurar, na verdade não foi me procurar, ele tem meu telefone, ele é meu amigo, e ele apareceu batendo na porta lá com seu assessor e pedindo para falar com a coordenadora e eu prontamente me dispus também a conversar com ele. O que nós falamos para ele, e tem testemunho da coordenadora, é que o Serviço de Convivência, nós entramos há pouco tempo no social, e tanto Serviço de Convivência quanto a cesta básica quanto uma série de programas eles estavam com pendências, pendências de procedimentos, e nós estamos ajustando e fazendo todos os procedimentos porque tem que seguir a lei e os procedimentos legais. E não é diferente com o Serviço de Convivência. Inclusive as pessoas sabem que tem uma denúncia do Ministério Público a respeito do Centro de Convivência, que não foi da nossa gestão, e nós respondemos e estamos nos posicionando. Explicamos que o edital foi feito, que há dois dias atrás a nossa equipe foi visitar a empresa para ver se ela atendia os critérios do edital, tudo foi explicado pra ele, e que nós não teríamos uma data um dia específico porque tem, são procedimentos burocráticos e necessários e legais que nós não podemos atropelar. Os serviços serão prestados. Essa é a nossa versão”, contou Braz.

Sobre o Boletim de Ocorrência, Braz afirmou que o Luan tem o direito dele. “Eu vejo desnecessário. Eu não sou criminoso. Eu sou uma pessoa de bem. Eu sou uma pessoa honesta, correta. Eu sou uma pessoa que nunca, em toda a minha vida pública, não tem um depoimento contra a minha pessoa a respeito que desabone a minha moral, a minha ética. Eu estou tranquilo. Eu vou pagar o preço do erro que eu cometi. Então, eu não tenho problema quanto a isso. Quanto aos vereadores, eles também estão certos, porque eu entrei no recinto deles e desrespeitei o ritual, desrespeitei aquela instituição. Eu assumo esse erro. Agora, precisamos fazer disso um palanque? Eu não sou candidato. Eu acho que não é necessário isso. Pessoas sérias resolvem problemas, problemas acontecem, erros humanos acontecem, eu assumo o meu. E agora não vão colocar na minha conta o que eu não fiz. Eu vou tratar de fatos e provas de fatos se for preciso. Eu acho que não tem necessidade desse caminho. Mas assim, eu recebo com tranquilidade a manifestação da Câmara. Vou enviar um ofício me retratando com certeza”, comentou.

Confira a nota divulgada pela Câmara de Vereadores ainda na noite dessa terça:

Confira também a nota divulgada pela prefeitura de Urussanga na manhã desta quarta-feira, dia 19:

Duras horas após emitir a nota, a prefeitura de Urussanga comunicou a exoneração do secretário Braz. Veja: