Há pouco mais de um mês do início das enchentes, os municípios do Rio Grande do Sul iniciam os processos de recuperação. Mesmo que as águas tenham baixado, existe uma nova preocupação que pode afetar a saúde de muitas pessoas. Assim como outros casos semelhantes, as autoridades sanitárias temem um aumento de doenças transmitidas pela água contaminada ou associadas à falta do sistema de saneamento básico.

Para o professor e médico veterinário da Universidade Federal de Santa Maria, Eduardo Furtado Flores, não há perspectiva do que pode acontecer. “Nós temos um histórico aí, ao longo dos anos, de desastres naturais que ensejam, que trazem como consequência esses efeitos secundários, que são as doenças que surgem em virtude dos danos que esses eventos causam no sistema de tratamento de água, de coleta e tratamento de esgoto, do próprio contato das pessoas com água contaminada, do contato das pessoas com as casas no momento de realizar a limpeza, da aglomeração de pessoas nos abrigos, é uma preocupação muito grande também”, comenta.

Conforme o especialista, os municípios passaram pelo momento agudo das enchentes, mas agora devem se preparar para as consequências que podem vir. “Já tem algumas aparecendo, a leptospirose já tem dezenas de casos com várias mortes e provavelmente, infelizmente, outras doenças vão surgir ao longo das próximas semanas, cabe a nós alertar a população e recomendar as medidas mínimas de prevenção para que esses eventos secundários sejam minimizados por meio da conscientização da população do que deve e o que não deve fazer”, alerta o doutor Eduardo. O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça:

 

O professor ainda salienta que, mesmo que as águas tenham baixado, o risco de contaminação de leptospirose continua. “Muitas pessoas estão retornando às suas casas agora, depois que as águas baixaram, e vão proceder à limpeza. A bactéria que estava na água contaminada também está no lodo, no barro, na sujeira que tem nas casas. Então é importante que as pessoas ao procederem, ao retornarem às suas casas, procederem à limpeza, desinfecção, limpeza de todo o ambiente doméstico, que elas se atentem a utilizar luva e bota, porque a bactéria que estava na água está na lama, está no barro que tem no lodo que fica residual nessas propriedades”, afirma o especialista.

Outra preocupação envolve as pessoas que ainda estão em abrigos. “Pessoas de muitas procedências, o estresse, mudança de alimentação, mudança de hábitos e o próprio estresse causado pelo desalojamento de propriedades é um fator muito importante e aí surgem doenças respiratórias como Covid-19, a transmissão é exacerbada em virtude de fatores estressantes, a própria Influenza, gripe, é muito favorecida por essas aglomerações, doenças cutâneas como, por exemplo, sarna e piolho, eventualmente, estão exacerbadas nesses ambientes. Então, são doenças típicas de ambientes de aglomeração com condições mínimas de higiene pessoal e estresse”, esclarece Eduardo.