A Justiça interveio para que os moradores do bairro Rio América, em Urussanga, tenham acesso a água própria para consumo humano. Isso ocorreu após laudos laboratoriais apontarem a presença de Escherichia coli na água, bactéria relacionada à material fecal. Até então, o abastecimento de água na região era operado pela Associação de Moradores do Bairro Rio América (Ambra). Diante dessas irregularidades e por causa das modificações solicitadas, a associação não quer continuar à frente dos serviços, tendo já comunicado ao Ministério Público sobre essa decisão. Dessa forma, o abastecimento de água na região do Rio América passa a ser de responsabilidade do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).
O presidente da Ambra, Alexssandro Leopoldo, o Danda, contou que a associação sempre fez o tratamento e o abastecimento para as famílias da comunidade. “A associação sempre teve esse cuidado com a água e, na medida do possível, com análise, com todos os parâmetros necessários. Hoje as coisas foram se aprofundando, as pessoas começaram a, vamos dar um exemplo assim, a pressionar, a exigir mais coisas, aonde a nossa comunidade, infelizmente, não teve mais esse respaldo de poder manter a água, até porque o custo é alto e, infelizmente, a gente não tem mais essas condições”, disse.
Segundo Danda, o Rio América conta com, aproximadamente, 300 famílias na região. O presidente da Ambra ainda afirmou que, a maneira como a água está sendo tratada hoje, é a mesma como foi tratada desde sempre. “Eu não sei qual o motivo que está levando hoje a vigilância a nos pressionar, vamos dizer assim, para que a gente possa, todos os dias, estar fazendo análise, toda semana. Existe alguma coisa, eu acho, de errado porque, em décadas que eu vivo lá, que a gente convive lá, a água sempre foi desta maneira. A gente não teve problema nenhum com saúde, com nada disso”, ressaltou. Danda ainda mencionou que moradores da própria comunidade fazem denúncias sobre o assunto no Ministério Público. “Às vezes exageram na denúncia, falam as coisas que não sabem. Então isso vem prejudicando nós, principalmente, eu acho que, de 10 anos para trás”, comentou.
Danda afirmou que, hoje, os moradores do Rio América pagam em torno de R$ 10,00 pela água por mês. Como a Ambra não tem condições de atender as exigências dos órgãos sanitários, como contratar um engenheiro e ter dosadores de cloro, a associação decidiu não continuar com o tratamento e o abastecimento de água na região. “Não é a diretoria e nem o presidente que está entregando a água para o Samae e sim são medidas tomadas pela Justiça e que a gente tem que respeitar. Porque, hoje, se a gente não fizer isso, a gente pode ser multado e as coisas podem se aprofundar cada vez mais”, falou. “É uma pena estar falando sobre isso, porque, como eu falei, a água nossa sempre foi considerada uma das melhores da região”, afirmou.
O juiz da Comarca de Urussanga, doutor Roque Lopedote, determinou que o município e o Samae garantam, em até 15 dias, o fornecimento de água potável para os moradores do Rio América. Isso deve ocorrer por meio de soluções emergenciais, como a utilização de caminhões-pipa ou, então, reservatórios provisórios. O juiz ainda estabeleceu multa diária de R$ 3 mil, limitada a R$ 300 mil, caso o município descumpra a decisão. O diretor do Samae, vice-prefeito Renato Bez Fontana, afirmou que, ainda na manhã desta sexta-feira, dia 17, as equipes levaram cloro e flúor para a estação da comunidade para iniciar o tratamento. “Até avisando a população de Rio América que sinta talvez um pouco mais o gosto de cloro na água. Porque vai ser começado a tratar, tem um nível mínimo, que é exigido pela Vigilância Sanitária, e o nível máximo possível. Não estava sendo atendido nem o mínimo”, afirmou.
Renato ressaltou para que a população fique tranquila porque o Samae cuidará para que não tenha mais contaminação de Escherichia coli na água. O diretor explicou que a autarquia fará uma espécie de “desinfecção” da água, ou seja, será colocado o limite máximo de cloro no tratamento, que é de 5 partes por milhão (ppm). Após a análise ser normalizada, o tratamento será realizado com o mínimo de cloro exigido, que é de 2 ppm, o que já garante que não haja Escherichia coli.
Entenda mais na entrevista completa realizada no programa Giro Final:





































