O Alzheimer se difere de um simples esquecimento por diversos fatores. Apesar de se tratar de uma doença neurológica com várias consequências, o doutor Guilherme Canever conta que muitas pessoas costumam confundir os dois. Para o especialista, o Alzheimer pode ser entendido como se fosse um cérebro se desligando aos poucos.  “Neurônios vão se desligando por uma inflamação crônica, por uma desorganização estrutural causada por um acúmulo de várias substâncias tóxicas ao longo da vida, e isso faz com que esses neurônios percam a função”, explica. No caso de um simples esquecimento, como esquecer onde está uma chave, por exemplo, a pessoa tende a lembrar onde está após um tempo. “O paciente com Alzheimer não, ele perde, não faz a mínima noção de onde ela possa estar, apaga geral e não lembra mais”, afirma.

Conforme Guilherme, inicialmente, um paciente com Alzheimer esquece a memória recente. “Esquece o que comeu, esquece onde é que colocou a chave, esquece o fogão acesso. Isso é um risco. A evolução final do Alzheimer é dividida em três fases: a leve, a moderada e a grave. A evolução final, o paciente não reconhece mais ninguém, o paciente não lembra mais de nada, ele perde, além da memória, a fala, vai perder funções do corpo, como por exemplo, ele não sabe mais que precisa ir ao banheiro fazer xixi, ele não sabe que precisa fazer outras necessidades, ele perde a desinibição”, pontua o doutor. “Muitas vezes se vê um paciente com Alzheimer agressivo e acha que é o temperamento dele, mas não é, é uma alteração cerebral dele, ele nem sabe o que está acontecendo mais”, acrescenta.

O doutor salienta que existem as causas genéticas envolvidas no desenvolvimento do Alzheimer, além dos hábitos de vida. Segundo Canever, o componente genético sobre a doença ainda está sendo estudado, principalmente para se descobrir se há alguma maneira de bloquear o Alzheimer. “O tratamento hoje do Alzheimer faz o quê? Ele reduz a progressão, mas ele não bloqueia. Então, nós conseguimos aí ter uma qualidade de vida melhor na fase inicial, mas em vez de, por exemplo, 8, 12 anos, ele vai passar às vezes para 15, 20 anos”, comenta. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o doutor Guilherme Canever no programa Ponto de Encontro. Ouça mais na íntegra:

 

O Alzheimer, assim como outras doenças neurológicas, se tornam mais comuns com o passar da idade. “Infelizmente, no mundo de hoje, com a questão de alimentação, falta de atividade física, tudo isso, as pessoas já têm uma tendência a desenvolver problemas mais cedo e, vivendo mais tempo, vão ter mais chances de desenvolver problemas. A chance de mudar é agora, não é daqui 10, 20, 25 anos, 30 anos”, avalia. Para Guilherme, é importante desenvolver atividades que exercitem o cérebro também, como: jogos de memória, de tabuleiro, palavras-cruzadas, estudo de um novo idioma e artes manuais.