Tratado como algo recreativo para alguns, mas prejudicial à saúde e a vida social de outros, o álcool ainda é presente no cotidiano de muitas pessoas. O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo foi lembrado nessa terça-feira, 18 de fevereiro. O assunto também remete a importância dos Alcoólicos Anônimos (AA), uma irmandade de troca de experiências. “Nós não combatemos o alcoolismo. Esse é um dia nacional que fala sobre o assunto até de uma forma equivocada, mas aqui no AA nós sempre estamos estendendo as mãos para quem quiser parar de beber. A gente entende que boa parte das pessoas consegue consumir o álcool sem ter algum problema, mas existe uma parcela, provavelmente de 10 a 15% dos brasileiros, que tem problema com isso. Para as pessoas que têm problema e querem parar de beber, um jeito de encontrar uma saída é procurar a gente em Alcoólicos Anônimos”, fala o companheiro Fábio, mantendo seu anonimato.
Para Fábio, ainda existe um estigma muito forte do alcoolismo associado à fraqueza e falta de caráter da pessoa. “Como se fosse algo que a pessoa escolhesse, e na verdade não é”, afirma. Segundo Fábio, desde 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o alcoolismo como doença. Além disso, um novo CID (Classificação Internacional de Doenças) entrará em vigor destacando o alcoolismo. “Existem características similares em todas as pessoas que têm um problema com o alcoolismo, que se caracteriza como uma doença. Então, algumas pessoas vão metabolizar, vão processar no seu corpo, de uma forma diferente. Muita gente pensa assim ‘ah, mas eu bebo e eu não tenho problema, tenho um irmão que bebe e ele tem’. É assim… Do mesmo jeito que acontece, às vezes, com a diabetes, algumas pessoas podem comer açúcar e não têm diabetes, outras, ao consumir açúcar, até de forma moderada, vão desenvolver o diabetes, e outras doenças parecidas, como doença do coração, não é culpa da pessoa. Então, tirar o estigma e falar sobre isso é muito importante”, salienta.
É possível realizar um auto diagnóstico sobre alcoolismo através do próprio site do AA (CLIQUE AQUI). De acordo com Fábio, há uma forma mais simples de saber sobre isso, somente com um questionamento mental. “Você pensa em parar de beber constantemente, mas continua bebendo, provavelmente você está passando por uma das fases de entrada, pode ser, do alcoolismo. Por quê? Porque uma pessoa normal, que não tem problema, geralmente ela nem pensa em parar de beber. Uma pessoa que não tem problema, o álcool é como qualquer outra substância. É como o chocolate, se alguém falar para ela ‘para de comer chocolate’, ela vai falar ‘mas por que eu vou parar de comer chocolate? Eu não tenho diabetes, não tenho problema com chocolate, eu como chocolate de vez em quando, em uma sobremesa’. Para ela, o álcool é igual”, exemplifica.
Segundo Fábio, o problema pode aparecer independente da quantidade ou tipo de bebida. “A quantidade, o jeito de beber, muitas vezes, não quer dizer muita coisa, mas sim as consequências que ele está causando na vida da pessoa, ou seja, tem problema? Quer parar de beber e não consegue parar? Então provavelmente você tem o alcoolismo ou você está desenvolvendo, pode ser uma fase inicial, mas como qualquer doença, é tão importante descobrir que tem um problema na fase inicial”, comenta. O assunto foi abordado com mais detalhes com o companheiro Fábio em entrevista no Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:
Um dos sinais do alcoolismo é quando, em eventos sociais, a pessoa se preocupa mais com a bebida do que com o momento em si e com os outros em volta. “Quando a pessoa se preocupa mais com a substância do que com os relacionamentos, com as pessoas, com o ambiente, com a forma como ela vai se portar, já é um grande sinal que isso já passou da recreação e já se tornou dependente”, salienta. “O alcoolismo é uma doença crescente. Às vezes ela começou lá na adolescência, bebe igual as outras pessoas, mas, com o passar do tempo, o uso dela foi se aumentando, foi modificando e aí o último ano geralmente mostra alguns sinais de comportamentos muito comuns entre as pessoas com alcoolismo”, acrescenta o companheiro do AA.
Fábio frisa que o primeiro passo é reconhecer que a pessoa possui alcoolismo. “O principal desafio é superar a negação de que tem um problema, que não é fraqueza, que não é falta de caráter. A maioria dos alcoólicos se culpam muito também, falam ‘acho que sou sem vergonha, eu gosto disso’, e ele não percebe, às vezes, de que ele está sofrendo uma compulsão devido a uma doença e, essa compulsão, a gente precisa aceitar esse problema”, diz. Além disso, Fábio explica que a irmandade AA tem um papel importante para inserir a pessoa no caminho social novamente. “Como qualquer droga, o consumo por perto sempre é algo que pode influenciar a pessoa a voltar a beber”, salienta. “Aprender a lidar com essas situações sociais sem precisar do álcool é um processo de médio a longo prazo, isso a gente trabalha dentro dos grupos”, complementa Fábio.
Ver essa foto no Instagram




































