Em alusão ao Agosto Lilás, a Secretaria de Assistência Social de Urussanga reforça a conscientização e o combate à violência contra a mulher. “A gente tem muitas mulheres com medo de denunciar e a gente tem que trabalhar muito isso ainda porque a agressão não é só física. A gente acha que a agressão doméstica, a violência doméstica, é só física, mas não, ela é moral, ela é psicológica, ela é sexual. Então a gente tem que realmente incentivar e colocar na cabeça delas que elas têm uma lei, a gente tem a Lei Maria da Penha”, comentou a secretária da pasta, Sinara Elias Freccia, acrescentando que a lei completa 19 anos de existência neste ano.
Conforme a secretária, casos de violência doméstica são acompanhados também pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). A psicóloga Isabela Matiola explicou que os casos chegam pelo Disque 100, por encaminhamentos de outras secretarias ou a própria mulher busca o atendimento. “A gente vai estar realizando orientações, como a Sinara falou, muitas mulheres têm medo e grande parte desse medo também é por conta do desconhecimento dos direitos que elas têm. Então a gente faz essa orientação inicial, explica todos os caminhos, as possibilidades que a gente tem de trabalhar com essa mulher, com essa família, quando essa mulher tem filhos, ou quando existem outras possibilidades de trabalho ali, e dá todo esse suporte”, esclareceu.
A psicóloga ainda destacou que o Creas faz outros encaminhamentos necessários para a mulher vítima de violência. Caso seja necessário, os profissionais fazem acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou em outra área da saúde. “Às vezes essa mulher já está muito adoecida quando ela consegue fazer esse movimento, então a gente faz todos esses encaminhamentos e vai dando outros suportes também, se for necessário”, comentou. Isabela ainda contou que o Creas também realizada acompanhamento para aquelas mulheres que já realizaram a denúncia contra os agressores. “A gente vai dar o suporte nos outros aspectos. Então assim, verificar se essa mulher já tem um atendimento especializado, porque muitas vezes ela está em uma situação que ela não consegue perceber que ela precisa de ajuda, verificar se ela tem rede de apoio também, como que a gente pode estar auxiliando”, pontuou.
Sinara e Isabela participaram de entrevista no programa Comando Marconi e detalharam mais sobre o trabalho realizado em Urussanga. Ouça na íntegra e saiba mais:
Parte 01
Parte 02
Isabela salientou ainda que o que caracteriza a violência doméstica é o vínculo afetivo entre a vítima e o agressor, seja em um relacionamento amoroso ou outro tipo de vínculo familiar. Além disso, a especialista explicou que o isolamento social é uma característica presente em casos de violência doméstica. “Às vezes essa mulher vai perdendo o vínculo quando ela está nessa relação há muito tempo, vai cortando vínculo com a família, com outras redes de apoio, amigos, e aí esse isolamento faz com que a mulher não consiga nem acessar o serviço”, afirmou. A psicóloga pontuou que existe o chamado ciclo da violência: a fase de tensão, com ameaças; o ato da violência em si, seja física, moral, psicológica, sexual ou patrimonial; e a fase lua de mel. “É o arrependimento, é o ‘nunca mais vou fazer isso’, ‘foi só dessa vez’, tem aquela conquista de novo da vítima”, explicou. “Quanto mais vezes esse ciclo se repete, mais grave fica a situação de violência”, acrescentou.
Dentro do Agosto Lilás, a Secretaria de Assistência Social irá realizar um evento no dia 28. “É um evento pequeno, mas com bastante informações, vamos fazer palestras, pretendemos fazer dinâmicas, vamos oferecer um café para essas mulheres e a gente quer trazê-las para pertinho da gente para orientar, escutar, fazer uma roda de conversa”, contou a secretária Sinara. O encontro vai acontecer a partir das 14 horas na sede da secretaria. “Colocar para elas que a gente tem a rede de apoio. Se elas precisarem, que procurem a Secretaria de Assistência Social, que procurem o Creas, a gente tem a psicóloga, a gente tem a assistente social”, complementou.
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