O leite materno é considerado o padrão ouro da nutrição infantil. É por isso que ele deve ser exclusivamente o único alimento para o bebê até os seus seis meses de vida. Para o pediatra Marcus Renato de Carvalho, especialista em amamentação, não existe outro alimento mais importante do que o leite materno que possa ser dado às crianças durante essa época. “Isso faz com que o bebê cresça, ganhe peso, altura e se desenvolva, ou seja, tenha um desenvolvimento neuropsicomotor mais evoluído. Isso protege contra infecções e contra doenças crônico-degenerativas, hipertensão, diabetes, inclusive na vida adulta”, explicou o doutor sobre os benefícios do leite materno. “Ele é mais que um alimento, é como se fosse uma vacina protegendo o lactante. E a mulher que amamenta não é parasitada por esse bebê, ela também recebe benefícios. O mais querido pelas mulheres é que a amamentação emagrece e também diminui o câncer de mama, de útero, de ovário, ela vai ter menos osteoporose, ela vai ter prazer quando a amamentação é bem apoiada e quando ela não está sozinha”, acrescentou.
O pediatra reforçou que, até os seis meses de idade, o leite materno é suficiente para o bebê. Isso significa que não é necessário dar água, chás ou sucos para a criança. “Isso está comprovado cientificamente”, pontuou. “O leite materno tem 87% de água, quando o bebê tem mais de seis meses, ele já está com oito quilos, então precisa de um volume de leite enorme. Por isso que a gente introduz uma alimentação complementar saudável, que é a alimentação da família, sem alimentos ultraprocessados”, salientou Carvalho. Segundo o pediatra, a recomendação é que a amamentação vá até dois anos ou mais, sem limite de tempo. “A gente não está divulgando que as mulheres devem amamentar até os 4 ou 5 anos de idade, mas amamentar até dois, dois anos e pouco, três anos, não faz mal, não prejudica o desenvolvimento do bebê”, explicou.
Marcus também salientou que é preciso que o bebê mame logo após o parto. É a chamada hora dourada, quando o bebê recebe a primeira amamentação. Além disso, segundo o especialista, os recém-nascidos não devem ser separados da mãe, mesmo que o parto tenha sido cesariano. Conforme Marcus, se o bebê está bem, ele deve ficar com a mãe durante uma hora. “Já tem estudos mostrando que isso é muito bom, não só para o bebê, mas para a mãe também, porque isso libera ocitocina, e a ocitocina contrai o útero, então ela vai ter menos anemia, menos hemorragia, a placenta vai sair mais rápido, o leite desce mais rapidamente”, contou. “Para o bebê também, porque ele recebe o calor, os batimentos cardíacos, a respiração da mãe faz com que ele aprenda a respirar, ele tem essa adaptação ao mundo exterior, mais humanizado, com menos violência e isso faz com que ele logo consiga ir ao peito por si próprio”, disse.
Para o bebê, além da parte nutricional, o leite materno contribui para o seu desenvolvimento, principalmente no ato de sugar o leite do seio da mãe. “Quando ele suga da mãe, toda a musculatura orofacial, que a gente chama de sistema estomatognático, cresce de forma adequada. Então ele aprende a ser um respirador nasal e não respirador bucal. Nós nascemos com micrognatia, a gente nasce com uma mandíbula muito para dentro e a amamentação faz com que essa mandíbula cresça”, explicou. O doutor Marcus participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais da importância da amamentação, em alusão à campanha do Agosto Dourado. Ouça mais:
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