O presidente da Associação Sindical e Social dos Trabalhadores do Sul de Santa Catarina (Astrasul), Cléber Cândido, avalia que o fim da escala 6×1 pode trazer benefícios aos trabalhadores e ao comércio da região. O Senado Federal aprovou o fim da escala de seis dias de trabalho com um dia de folga na sessão da última quarta-feira, dia 14 de outubro. Em entrevista, Cléber destacou que a mudança permitirá mais tempo de descanso e convivência familiar, além de defender que a redução da jornada pode estimular novas contratações. “Daqui a dois meses, começam-se realmente as tratativas. Provavelmente, cada sindicato vai fazer essas tratativas, junto com o sindicato patronal ao qual são representados, para encaminhar da melhor forma a maneira de escalas e do jeito que deve ser feito”, falou Cléber.

Cândido ainda comentou que os sindicatos veem com normalidade as posições contrárias sobre o fim da escala 6×1. “É óbvio que quem está do outro lado, que também vai ter que pagar conta, acaba analisando que isso não é bom, mas o que vai dizer ser bom ou não, realmente, a gente avalia que é só o dia a dia. Mas isso aconteceu com outras várias leis trabalhistas que também foram aprovadas e que isso ia ser ruim e ia quebrar. Mas, ao fim, todo mundo se adapta. A gente entende que isso faz parte do jogo e no fim vai ser bom para todo mundo”, afirmou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o presidente Cléber no programa Comando Marconi. Ouça e entenda:

 

O presidente da Astrasul ressaltou que setores como saúde e vigilância exigem atenção especial devido às diferentes jornadas de trabalho. Na área da saúde, por exemplo, escalas como a de seis horas durante a semana e 12 horas nos fins de semana podem precisar ser revistas. “A 12×36, hoje, até daqui a um ano, até dezembro do ano que vem, continua na sua normalidade sem mexer em nada, até porque hoje os trabalhadores que fazem a jornada 12×36, na média, já fazem 42 semanais e folga um dia sim, um dia não. Então não vai ter influência nesse momento. Mas, quando a jornada cair para 40 horas, daí sim vai ter que ser feita todas as negociações”, disse, acrescentando que isso ainda será debatido futuramente.

Cândido ainda avaliou que o fim da escala 6×1 poderá contribuir para ampliar a formalização do emprego, com a necessidade de contratar mais profissionais. Para o presidente do sindicato, a informalidade tenderá diminuir. “A informalidade no Brasil existe hoje por causa dos afrouxamentos da lei também, a terceirização, a pejotização, mas que isso traz um risco muito grande para as empresas. Muitas empresas que acham que, ao contratar dessa forma, estão ganhando com isso, mas elas estão tendo grandes passivos trabalhistas”, alegou. “A formalização vai aumentar porque a gente vai contratar mais trabalhadores. Então eu acho que a gente entende que não é uma terra de ninguém e que as coisas têm que ser feitas conforme a lei”, pontuou.

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