Antes mesmo de se tornar o Mazinho do posto e de ser uma figura conhecida no grupo Amici Della Polenta, Rozemar Possamai foi um menino que pedalava entre os bairros Da Estação e Centro para trabalhar. Em entrevista, Rozemar relembrou que viveu sua infância e adolescência junto à família, em uma residência no bairro Da Estação. Durante os anos da juventude, Mazinho passou por várias experiências profissionais, com o objetivo de ganhar dinheiro e iniciar sua trajetória. Um dos primeiros trabalhos foi em uma lenharia, conduzida pelo senhor Santiago Serafin. “A gente ia ali, ganhava um trocadinho para serrar lenha, tudo curtinha. E a gente vinha entregar na praça, que eu não esqueço o nome até hoje, aqueles fogões econômicos, que se dizia Lopumo, vendia a lenha com gravetinho para as pessoas acenderem no fogo”, contou.
Ainda na adolescência, o urussanguense também chegou a trabalhar na madeireira Peraro, que construía casas de madeira, além de limpeza de poços artesianos. “Urussanga teve uma fábrica de calçados muito grande na época, calçados Lavina. Eu era contratado para 11h30 trazer o almoço para as mulheres Da Estação que trabalhavam aqui na fábrica”, relembrou. “Eu trazia as marmitas. Eu tinha uma bicicleta, eu tinha um caixote na garupa e o que desse para trazer aqui no ombro, mais uma cesta no guidão e mais três ou quatro na mão”, disse. Nessa mesma época, Mazinho era solicitado para entregar as marmitas no horário da janta para os trabalhadores. Um outro serviço que era preciso na época, mas que Mazinho não conseguiu fazer, foi de levar e entregar roupas para que as mulheres pudessem lavar em uma fonte no bairro Da Estação. “Elas pediam para eu entregar a roupa, mas aí não dava, era um saco de roupa só, não dava para levar dois, três. Então, essa ideia eu não gostei”, comentou.
Durante essa época, Mazinho também se dedicava aos estudos. Do 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental, Mazinho estudou na Escola Caetano Bez Batti, quando ela era ainda de madeira e ficava junto à capela da comunidade. “Naquela época, no 4º ano, a gente tinha que fazer um exame de admissão para vir para o Barão, para fazer o 5º ano. Aí eu passei e vim estudar no Barão. Eu já era meio rebelde, sapecão, vim da Estação de bicicleta, tinha um ciúme que era tudo enfeitadinho, tudo bonitinho, eu pegava e não levava lá no Barão porque a turma avacalhava, andava, esvaziava o pneu e deixava no posto do seu Lydio De Brida, e ali fui tendo amizade com o Agenor, mais velho, o Oberdan”, lembrou. Foi daí que Mazinho, anos depois, começou sua atuação no posto de combustível. “Comecei por ali, aí depois foi indo, fui lavando, fui começando a aprender a lavar e tal. Aí foi aquela sequência”, relembrou.
Com o desempenho e a vontade de trabalhar, aos poucos Mazinho foi ganhando a confiança e passando a atuar em outros setores. O urussanguense ingressou nesse emprego em 1971. Na década de 1990, veio uma nova etapa. Depois de 25 anos trabalhando com Oberdan, os dois decidiram adquirir um posto da família Zanatta. Inicialmente, seguiram como sócios, mas posteriormente cada um passou a administrar seu próprio negócio. Mazinho ficou à frente do posto localizado em frente ao Hospital Nossa Senhora da Conceição. Por volta de 1996 e 1997, surgiu então a Possamai Comércio de Combustíveis e Lubrificantes em Urussanga. “Fomos indo, fomos indo e, graças a Deus, atingimos a meta e a gente, por um grande período, mas grande mesmo, liderou as vendas. Isso dados da ANP, das companhias. A gente liderou muito as vendas no comércio aqui, nos postos aqui de Urussanga”, falou. Mazinho participou de entrevista e falou mais sobre a sua história de vida no programa Ponto de Encontro. Confira:
Parte 01
Parte 02
Em 2015, Mazinho decidiu não estar mais à frente do posto de combustíveis. “Eu devo tudo ao povo de Urussanga, ao comércio, me prestigiaram muito. Eles me ajudaram bastante”, comentou. Mazinho contou que, quando decidiu não ter mais o posto, ofereceu o negócio aos filhos. Como a família também não queria continuar com os serviços, Mazinho ofereceu o posto aos outros estabelecimentos concorrentes da cidade. “Ninguém mostrou interesse, então eu aluguei para uma pessoa de fora, no caso. Que bom que está ali, funcionando, atuando até hoje”, afirmou. O antigo posto, além do abastecimento e da lavação, tornou-se ponto de encontro para moradores, especialmente com a chegada da loja de conveniência. Mazinho lembrou de uma época em que o estabelecimento funcionava 24 horas e recebia grande movimento nos fins de semana e durante eventos como a Festa do Vinho.
Além da trajetória empresarial, Mazinho também se tornou conhecido pela participação no grupo Amici Della Polenta. Convidado por Sacchet, ingressou no grupo poucos meses depois da fundação, em 2012. Atualmente, exerce a presidência e também atua na organização de contatos, agenda e compromissos. “Eu acho que eu não posso me queixar da vida. Constitui família, tenho um ciclo de amizade muito grande, muito grande mesmo, e orgulho do que fiz. Como te disse, a gente está com setentão hoje, não precisa de muito para viver”, brincou.
Confira a entrevista também em vídeo:




































