Antes de se tornar a primeira prefeita da história de Urussanga, Stela Maris de Agostin Talamini construiu uma trajetória marcada pela dedicação à educação, ao serviço público e à comunidade. Mesmo tendo a oportunidade de conhecer outros lugares, Stela decidiu construir a sua família na cidade onde nasceu. “Tive o prazer e o privilégio de trabalhar no lugar que eu vivo, muito próximo também de onde eu resido. E aqui construí a minha família também. Sou muito orgulhosa da nossa cidade e desse lugar”, disse. Stela conheceu seu esposo há mais de 40 anos na festa de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Da Estação e, juntos, possuem dois filhos.
Em entrevista, Stela contou que faz parte de uma família de quatro irmãos. Ainda na infância, por volta dos 3 anos de idade, a família se mudou para Siderópolis por causa do emprego do pai. “Minha irmã mais nova nasceu em Siderópolis. Então estávamos morando lá uns quatro ou cinco, talvez há seis anos, e o meu pai sofreu um acidente e faleceu com 33 anos. Deixou a minha mãe com um carreirinho de filhos, tudo pequenininho”, falou. Para Stela, seu pai foi um homem muito visionário. “Eu tinha meus 5, 6 anos, eu lembro dele dizendo para minha mãe que ele ia fazer um curso para consertar o televisor, porque em breve as pessoas iam precisar”, comentou. “Ele sofreu um acidente, foi um acidente de trabalho, faleceu com 33 anos, mas ele sempre foi muito preocupado com a família e ele nos deixou muito bem. Eu tive esse privilégio”, acrescentou.
Mesmo viúva, a mãe de Stela cuidou de todos os filhos com bastante dedicação. A matriarca da família fazia questão que todos se dedicassem aos estudos. Stela e suas irmãs estudaram na antiga escola Rainha do Mundo, tendo várias religiosas como suas professoras. Durante a época de escola, Stela se dedicou ao esporte, que era muito valorizada na instituição. “Eu sempre gostei muito, eu vivia em uma quadra de vôlei, eu vivia em uma quadra de handebol e, às vezes, a gente chegava em casa, a mãe ainda dava um chaculepe porque demorava para chegar em casa, mas estava onde? Em uma quadra, jogando vôlei”, relembrou. O esporte foi tão presente na vida de Stela durante a juventude que ela chegou a participar das equipes municipais. “Foram momentos muito bons da vida, da adolescência”, disse.
Stela decidiu se tornar professora por acaso. Quando chegou a época de ingressar na universidade, a urussanguense gostaria de ter feito Serviço Social, mas o curso existia somente em Tubarão. Foi aí que Stela decidiu entrar na antiga Fundação Universitária de Criciúma (Fucri), hoje Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Naquele período, Stela optou por fazer um curso no qual se identificava, tendo escolhido a faculdade de Estudos Sociais. “Tu trabalhava História e Geografia, e aquelas disciplinas que faziam parte da carga do currículo escolar nos anos 1970, 1980, que era o OSPB, Educação Moral Cívica”, falou. Assim que se formou, Stela prestou concurso estadual e conseguiu uma vaga na Educação, onde passou a lecionar nas escolas de Urussanga. “Eu comecei a atuar com Geografia, depois, mais tarde, com História, e ali segui a minha vida como professora”, recordou.
Antes de se tornar professora, Stela teve outras experiências profissionais. Ainda no Colégio Rainha do Mundo, a urussanguense chegou a fazer um curso técnico de Análises Químicas e, depois, de Contabilidade. “A contabilidade sempre me ajudou na minha vida toda. Nunca me vi atuando dentro de um escritório. Eu acho que a profissão de professora me permitiu ser a Stela que eu sou”, comentou. Com essa formação de contabilidade, o primeiro emprego de Stela foi no Hospital Nossa Senhora da Conceição. “Eu atuei ali uns dois anos e meio, acho. Conheci muito a dinâmica do hospital e isso foi bastante importante, mas também não me levou a escolher uma profissão, por exemplo, para fazer a faculdade de Enfermagem ou seguir no ramo da Contabilidade”, contou. Stela participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história de vida além de estar prefeita de Urussanga. Ouça mais:
Stela atuou nas salas de aula durante 30 anos. Sua trajetória iniciou na Escola Vincenzo De Villa, passando pela Escola Barão do Rio Branco e também Caetano Bez Batti. Durante esses anos, Stela também abriu um colégio particular, o Colégio Monsenhor, junto com sua sócia Ângela. Stela explicou que o colégio foi criado ao observar estudantes que, por diferentes motivos, haviam interrompido os estudos durante o Ensino Fundamental ou Médio. Segundo ela, a proposta buscava valorizar uma avaliação mais ampla do aluno, considerando não apenas as notas, mas também características como iniciativa, criatividade e capacidade de resolver problemas, fundamentais para a vida profissional. Há alguns anos, Stela não está mais à frente do Colégio Monsenhor, que segue com a mesma proposta e liderado por outra gestão.
Como professora, Stela aperfeiçoou habilidades que contribuem na gestão do município, agora que está como prefeita de Urussanga. “A sala de aula te permite criar esse vínculo, essa condição, principalmente de ouvir, de saber administrar, às vezes, administrar também conflitos que surgem entre os jovens”, pontuou. “Eu posso dizer que a sala de aula foi uma experiência de gestão. E, depois, ao longo da vida, eu por ser professora de História, por conhecer a história da humanidade, por conhecer a história da trajetória humana, entender os processos, as transformações, o que acontece no mundo, tu acaba tendo o teu lado político mais trabalhado. Talvez por esse meu perfil de saber ouvir, de poder me manifestar, as pessoas viram em mim a possibilidade de eu ser uma vereadora”, disse, relembrando que atuou no Legislativo de Urussanga entre 2005 e 2012.
Na vida pública, Stela chegou a comandar a Secretaria de Educação durante dois anos, além da Secretaria de Infraestrutura, por quase um ano. Após ter sido vereadora por dois mandatos, Stela acabou se afastando um pouco da política e se desfiliou de seu então partido, o PP. Depois de alguns anos, entre 2018 e 2019, Stela foi convidada a se filiar no MDB, partido que está até hoje. Stela concorreu ao cargo de prefeita nas eleições de 2020, não tendo sido eleita, mas concorreu novamente em 2024, tornando-se a primeira prefeita mulher de Urussanga. “Eu sempre digo que é um orgulho muito grande. Eu sempre fui uma pessoa que procurei valorizar as mulheres antes de eu chegar nesse cargo. Eu sempre procurei enaltecer as mulheres, sempre tive cuidado de não diminuir a outra mulher, porque é muito difícil ainda a mulher estar na política. Então, nós mulheres temos que sempre enaltecer, sempre valorizar o trabalho da mulher na política”, disse.
Confira a entrevista também em vídeo:



































