Os avanços da oftalmologia têm ampliado as possibilidades de tratamento para pessoas que enfrentam mudanças na visão ao longo do envelhecimento. Mais do que tratar doenças, a especialidade tem buscado preservar a qualidade visual, a autonomia e a independência dos pacientes, especialmente a partir dos 40 e 50 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com mais de 60 anos deve dobrar nas próximas décadas. No Brasil, esse processo ocorre de forma ainda mais acelerada, tornando a visão um dos principais fatores para garantir qualidade de vida, segurança e participação ativa nas atividades do dia a dia. “Com a atualidade, a tecnologia, os avanços em inteligência artificial, nos equipamentos, a gente consegue prever as doenças, consegue tratar e prevenir que elas aconteçam. E tanto que na questão da visão, por isso o rejuvenescimento visual, a gente consegue trazer de volta a visão que as pessoas começaram a diminuir, principalmente o público acima de 50 anos”, destacou o oftalmologista Neto Pereira.

É comum que a visão comece a mudar por conta do envelhecimento. Segundo o doutor, o cristalino, que é a lente natural do olho, também começa a alterar com o passar dos anos. “Essa lente precisa dar esse zoom para enxergar de perto e ela tem que ser móvel, ela tem que ser maleável. Como ela vai perdendo essa capacidade, ela vai perdendo a capacidade de trazer esse zoom de leitura de perto”, disse. “Ele começa nesse ponto, vai enrijecendo, mas a visão continua boa, não vai tendo perda da visão. A gente perde a capacidade de trazer a visão de perto. Mas, quem não usa óculos, continua enxergando muito bem de longe”, acrescentou. Porém, conforme Neto Pereira, chegará em um ponto que a pessoa também terá dificuldade de enxergar de longe. “Porque, além de ela perder a elasticidade, essa capacidade de a gente poder acomodar, ela vai se tornando mais amarelada, mais acastanhada, ou no futuro, branca. Por isso muitas pessoas veem ‘ah, é catarata, está com o olho branco’, é porque ela desenvolveu, essa lente natural perdeu essa capacidade tanto de acomodar, ficou tão rígida, perdeu essa capacidade e perdeu a transparência”, explicou.

Em entrevista, o oftalmologista citou o que mudou na área nos últimos anos, principalmente com relação aos tratamentos disponíveis. Conforme Pereira, houve uma integração entre os aparelhos com a inteligência artificial. Para o especialista, essa junção permite que os resultados sejam melhores e mais precisos para cada paciente. “Com o avanço da tecnologia, a gente conseguiu ser tão preciso a ponto de a gente conseguir fazer a cirurgia para alguém que não tem catarata ainda, não desenvolveu”, falou, acrescentando que hoje é possível realizar cirurgias em pessoas que não querem fazer o uso dos óculos. “Isso no passado não se podia”, pontuou. O doutor Neto Pereira participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre sua área. Ouça na íntegra:

Além da catarata, outras condições relacionadas ao envelhecimento, como a presbiopia e diversos erros refrativos, podem ser tratadas com elevada taxa de sucesso quando diagnosticadas precocemente. Em muitos casos, o paciente não recupera apenas a capacidade de enxergar, mas também a segurança, a produtividade e a confiança para retomar atividades que havia deixado de fazer. “A gente precisa ter essa avaliação, porque todo mundo com envelhecimento vai tendo uma perda, uma dificuldade para se enxergar e a gente consegue ir cuidando disso. Então a gente precisa ter esse cuidado de estar sempre tendo uma consulta regular com o oftalmologista para que a gente possa identificar quando isso chegar, quando não estiver mais tão bom para longe ou para perto”, comentou.