Desde muito jovem, Irinéia Nunes Felippe, conhecida por todos como Néia, possui consigo uma paixão pelo comércio e pelo empreendedorismo. Natural de Criciúma, Néia lembra de ter vivido uma infância muito feliz, tendo pais muito atenciosos com os filhos. Aos 15 anos, a jovem Néia começou a trabalhar em uma loja, no qual sua vizinha era uma das sócias. “Eu me apaixonei pelo comércio. Já comecei a gostar de vender, já gostava de arrumar prateleiras, já gostava de fazer vitrine”, disse. Néia atuou nessa loja por quase dois anos, quando passou a trabalhar com sua tia. “Éramos em quatro moças dentro de casa. Era eu 15, 14, outra 16, outra 17, era um ano de diferença cada uma. Aí o meu pai resolveu comprar um salão de beleza e queria que eu fizesse um curso. Eu fui para Tubarão, morei com a minha tia, fiz um curso de três meses e voltei, já estava comprado o salão, fui trabalhar”, recordou.
O salão de beleza da família ficava no centro de Criciúma. Além do salão, seu pai era chofer e possuía outros negócios. Foi em uma das viagens a trabalho que o pai de Néia soube de uma sapataria que estava sendo vendida em Urussanga. “Ele fez negócio com a sapataria e resolveu vir morar em Urussanga em 1963, mais ou menos”, contou Néia. Na época, o estabelecimento era conhecido como Feira de Calçados. A família ficou atuando na loja até por volta de 1967, quando Néia já estava casada com Murilo Felippe e seu filho mais velho já tinha pouco mais de um ano de idade. A venda aconteceu porque o pai de Néia encontrou uma nova oportunidade de negócio em Curitiba, no Paraná. “Eu queria trabalhar fora, não queria ficar em casa”, disse. “Aí eu fiz uma proposta para o Murilo e para o Sérgio, que eram sócios na relojoaria, meu marido e o Sérgio da Nancy, para comprar a loja. Eu queria trabalhar, queria comprar a loja do meu pai. E ali deu certo, compramos”, recordou. “Eu fiz uma proposta para o Sérgio, para ele ficar com a relojoaria e eu ficar com a loja, sozinha, porque o Murilo trabalhava no fórum. Mas, dali para frente, só fui”, falou.
Depois de cinco anos, grávida novamente, Néia precisou vender a loja, já que o espaço era alugado e os proprietários queriam novamente a sala. Um ano e meio depois, Néia recomprou a loja, já em outro endereço, onde permaneceu 20 anos, até a loja se mudar para onde está hoje, na esquina da avenida Presidente Vargas, com o nome de Cinderela Calçados. Em 2027, a loja da Néia completará 60 anos de história. Depois da pandemia da Covid-19, a Cinderela Calçados passou a ser administrada pelo seu filho Johnny Felippe, que também já foi prefeito de Urussanga. Em entrevista, Néia afirmou que sempre valorizou seus colaboradores. “Eu sempre dei muito valor para o funcionário. Quem não dá valor para o funcionário, não segura. Éramos uma família, sempre foi assim. Eu considerava uma família, sempre. E por sinal, tu sabes que todas ficaram muitos anos comigo, que chegaram a se aposentar, e tem outra remessa que está há muito tempo conosco”, comentou.
Como comerciante, Néia realizou diversas viagens para outros estados. “Quatro filhos, o Murilo de um lado, eu de outro. A gente lutava muito”, disse. Além de Jhonny, o casal teve Mauro Felippe, que hoje é advogado, Cristiano Felippe, servidor do Tribunal de Justiça, e Patrícia, que também foi comerciante e que faleceu em 2015. Néia participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre sua história de vida e sua relação com o comércio. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Hoje, com 80 anos de idade, Néia tem uma vida menos agitada, mas segue ativa em suas atividades. “Se for escrever a minha vida, foi muita coisa. Eu não parava. Eu fiz tudo na minha vida, eu fiz de tudo que tu imagina. De perder empregada, de cozinhar à noite, lavar roupa à noite, encerar a casa à noite, ainda cuidando dos filhos, dar mamadeira, subir para dar mamadeira, viajar, faturar mercadoria na madrugada”, citou. “Quando vou no banco, não tem a digital, não tenho mais, não tenho em nenhum dedo de tanto que eu trabalhei e limpei caixas, limpei prateleira, passei camisa desses homens aqui”, falou. Confira a entrevista também em vídeo:




































