Nascido na comunidade de São José, em Braço do Norte, Wilson Buss é sacerdote há quase 45 anos. A fé sempre esteve presente na vida de Wilson, principalmente por conta da família. De uma família com 11 filhos, o pai e a mãe viviam da agricultura, com venda de alimentos e engorda de porcos. Até os sete anos de idade, Wilson falava apenas o dialeto alemão. Segundo o sacerdote, a família vivia em um local mais retirado, onde os vizinhos eram parentes. O maior contato que havia com outras pessoas era nas missas de domingo. O padre da época também era de origem alemã e, por isso, ocorria uma espécie de revezamento: em uma semana a missa era celebrada em alemão, na outra em português.
Wilson relembrou que sua mãe sempre falava que gostaria de ter um filho padre. Além dele, outros três irmãos também chegaram a ingressar no seminário. Um se ordenou, mas faleceu ainda jovem. Outros dois decidiram seguir outras vocações e deixaram o seminário. “Ela dizia sempre ‘a mesma porta que te viu sair, é a mesma porta que vai estar aberta quanto tu decidires, se não queres a dimensão de ser padre’. Foi isso que aconteceu com dois dos meus irmãos, que ficaram um tempo no seminário e depois voltaram para casa, assumiram outra profissão”, contou. Porém, além da família, Wilson teve outras influências que o fizeram ser sacerdote. Ainda quando estava na escola, padres de uma congregação religiosa fizeram o convite para as crianças e jovens. “O ambiente ajudava muito a realmente a gente entrar no seminário e motivava”, falou, acrescentando que, da sua turma, outros cinco jovens também ingressaram no seminário na época.
Buss ingressou no seminário de São Ludgero, em 1966. “Durante um ano, nós tivemos uma escola que nos deu uma base muito forte para podermos, no ano seguinte, ingressar no seminário de Tubarão, o Seminário Nossa Senhora de Fátima, em 1967”, contou. Wilson se formou em filosofia na antiga Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (Fessc), hoje conhecida como Unisul. “Lá no seminário, dois fatos marcaram muito a nossa vida: em 1972, pegou fogo no seminário de Tubarão. Dois terços do seminário queimaram, e a gente estava lá dentro num dia de manhã com a aula interna e pegou fogo. E, quando estava quase sendo reconstruído, já estava com a estrutura pronta, veio a enchente de Tubarão, a gente pegou também. Então, às vezes eu brinco também junto com outros colegas, a prova de fogo e água”, mencionou.
Após ordenado padre, em outubro de 1981, a primeira missão de Wilson foi atuar em Jaguaruna. Na paróquia, Wilson ajudou um outro sacerdote, que estava lá há 25 anos. “Lá fiquei com ele até ele morrer, em 1986, de um câncer. Eu fiquei lá até 1990, fiquei nove anos”, recordou. “Foi o primeiro momento, primeiro amor da vida de padre, foi realmente nessa paróquia. Ia desde Camacho até aqui no Torneio, Arroio da Cruz, praia da Esplanada, Olho D’Água, até Camacho. Realmente era um trecho, assim, muito grande”, comentou. O padre Wilson participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre sua história de vida. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Em 1990, padre Wilson foi convidado para compor a coordenação diocesana de pastoral. Segundo o sacerdote, na época, havia dois secretariados, um em Tubarão e outro em Criciúma. Em 1993, Wilson recebeu duas importantes missões: foi nomeado vigário geral da Diocese de Tubarão e passou a morar em Criciúma, contribuindo na Paróquia Nossa Senhora da Natividade, em Cocal do Sul. “Foram anos maravilhosos, onde dividi o meu tempo com a ajuda e prestando serviço pastoral, rezando missas, celebrações e também atividades na paróquia e como vigário geral”, falou. Durante essa época, Wilson esteve no processo de criação da Diocese de Criciúma. No entanto, com a transferência do dispo Dom Osório, o projeto acabou ficando estagnado, sendo retomado em 1996.
Com a aprovação do projeto pelo Vaticano, padre Wilson ficou incumbido de ser o coordenador da comissão de instalação da Diocese de Criciúma. “Montamos uma equipe, foi um momento maravilhoso. Eu acho que foi um momento grandioso, porque não só meu, mas toda a equipe que foi formada, a gente fez uma peregrinação em toda a diocese, começando por Praia Grande, terminando por Lauro Müller”, relembrou. “A imagem de São José, por 30 dias, peregrinou por todas as paróquias da futura Diocese de Criciúma, que eram 30 paróquias”, falou. Durante 10 anos, padre Wilson foi o ecônomo e vigário geral da Diocese de Criciúma. “Fizemos toda estruturação da diocese. Então fiquei realmente nesses 10 anos ligado principalmente à parte administrativa”, acrescentou o sacerdote.
Com a chegada do bispo Dom Jacinto Inácio Flach, Wilson continuou na função de vigário geral da diocese, mas solicitou para estar ligado à alguma paróquia. Foi assim que, de 2009 a 2013, Wilson atuou na Paróquia Santo Agostinho, em Rio Maina, Criciúma. Atualmente, desde abril de 2013, o sacerdote está atuando como pároco na Paróquia Santa Bárbara, em Criciúma. Buss deixou a função de vigário geral da diocese em 2019. Confira a entrevista em vídeo:



































