Segundo entre seis filhos, Orlando Cechinel construiu uma trajetória de mais de quatro décadas ao sacerdócio. Sua história é pautada pela proximidade com as pessoas, pelo trabalho pastoral e pelo compromisso com as comunidades por onde passa. Atualmente, com 74 anos, o padre está atuando na cidade onde nasceu e cresceu: em Cocal do Sul, na Paróquia Nossa Senhora da Natividade. Em entrevista, Orlando contou que sua família sempre participou da igreja, principalmente a sua mãe, a senhora Teresa Cechinel, que faleceu neste ano, aos 99 anos de idade. “Nós éramos de ir à missa todo santo dia, de manhã”, disse. “Com três aninhos, não perdia a missa do padre Dominoni. Me sentava lá no canto do altar, ficava lá olhando, mas não entendia nada também, porque era tudo em latim e tal”, relembrou.
Embora não entendesse o que ocorria durante as missas, Orlando prestava atenção nas vestes do padre e, aos poucos, decorou as respostas em latim. Segundo Orlando, seu pai, Antônio Cechinel, não ia tanto à missa como sua mãe, mas era muito amigo do padre da cidade. Orlando ingressou no seminário ainda criança, antes dos 10 anos de idade, em São Ludgero. O sacerdote lembrou que, na época, deslocar-se de Cocal do Sul a São Ludgero demorava quase um dia inteiro por causa das estradas. Orlando ficou um ano e meio no seminário e retornou para sua cidade natal, ainda pertencente à Urussanga, onde ajudou na olaria de sua família. Durante essa época, com o passar dos anos, Orlando estudou na Escola Professor Padre Schuler e no Colégio Madre Teresa Michel.
Aos 18 anos, ingressou na Cerâmica Eliane, que possuía sua própria mecânica, conhecida como Imecal. Aos 26 anos, em 1976, Orlando deixou o seu emprego e partiu para Tubarão, onde ingressou novamente no seminário. Orlando foi até o seminário acompanhado de sua mãe e do padre Lindolfo Lueckmann, que já atuava na paróquia de Cocal do Sul. Orlando passou por várias etapas de formação, tendo se graduado em Teologia, até se ordenar padre, no dia 3 de julho de 1982, aos 32 anos de idade. “Fui um padre sempre com muita preocupação com a mãe em casa. Eu fiquei sempre aqui por perto, porque tinha que olhar a mãe, viúva, lutou como todas as famílias”, comentou. O padre Orlando participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre sua história de vida. Ouça:
Parte 01
Parte 02
Antes mesmo de ser ordenado padre, Orlando já sabia que sua primeira atuação como sacerdote seria contribuir com o Monsenhor Agenor Neves Marques, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Urussanga. Segundo Orlando, o bispo Anselmo era muito amigo e atendia muito ao Monsenhor. Cechinel chegou a Urussanga no final de setembro, meses após ser ordenado, e ficou na paróquia durante quatro anos e cinco meses. “Ele era muito preocupado. Mesmo de noite, quando eu voltava do trabalho de pastoral, sempre eu dava um pulinho no hospital para ver se tinha algum doente, precisava de sacramento e tal, eu chegava e entrava bem devagarinho, porque se ele ouvisse o barulho da porta, ele descia descalço, às vezes, para me atender. Ele foi muito bom, muito bom”, disse Orlando sobre o Monsenhor Agenor. Durante o período enfermo de Marques, Cechinel chegou a celebrar mais de 100 missas no quarto do padre, com sua presença.
O padre Orlando passou por várias paróquias após se mudar de Urussanga. Criciúma, Içara, Morro da Fumaça e Maracajá são alguns dos municípios por onde passou. Uma das suas principais características lembrada por quase todas as pessoas é o “beliscão”. O gesto, sempre acompanhado de bom humor e carinho, acabou se tornando uma marca registrada do sacerdote, rendendo inúmeras histórias e lembranças entre fiéis de diferentes gerações. Em entrevista, Orlando contou que o seu lema de ordenação foi “Aí de mim se não evangelizar”, retirada da carta de São Paulo aos Coríntios.
Confira a entrevista em vídeo:




































