Vilmar Sérgio Quaglioto tem todas as suas raízes em Urussanga. Nascido na cidade, Vilmar possui várias histórias para contar. Muitos o conhecem como Bigo, principalmente os que conviveram com ele durante a infância. Em entrevista, Vilmar explicou que esse apelido surgiu quando trabalhava em uma panificadora, onde começou aos 12 anos de idade. “Os padeiros tudo me chamavam de Bigorrilho, porque eu era pequeninho e eu entregava pão naquelas bicicletas que tinham uma cesta na frente”, relembrou. O apelido foi simplificado para Bigo porque havia outra pessoa conhecida como Bigorrilho na prefeitura da cidade. No início desse trabalho na panificadora, Vilmar ficou os primeiros três meses sem ter salário, ganhando uma gorjeta de seus chefes.
O urussanguense atuou na padaria por 17 anos, passando por vários setores, tendo sido inclusive padeiro. Foi nesse ambiente de trabalho que conheceu a sua esposa, a Neia. Vilmar contou que a família da esposa morava em Criciúma, mas se mudou para Urussanga por causa da funerária, chamada de Santa Bárbara, cuidada pelo irmão. Neia começou a trabalhar na padaria como balconista, onde conheceu e se casou com Vilmar. Hoje, os dois estão juntos há mais de 45 anos. Vilmar Quaglioto participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e relembrou algumas histórias de sua vida. Ouça na íntegra:
Parte 01
Parte 02
Vilmar se aposentou trabalhando na mina Santana. Durante essa época, seus colegas começaram a chamar pelo seu sobrenome: Quaglioto, no qual muitos o conhecem assim ainda hoje. Para o urussanguense, descer a mina representava muitas sensações. “Bem na descida do plano, assim, tinha uma capela de Santa Bárbara. E ali, todos os mineiros se benziam e se ajoelhavam. Alguns eram evangélicos, mas os outros, os mineiros tinham fé em Santa Bárbara”, disse. “Era tudo assim, quando entrava e quando saía. Eu me ajoelhava e agradecia ela, pedia proteção quando ia e quando voltava me ajoelhava, me benzia e agradecia pela proteção que ela me deu naquele dia de serviço”, falou. “Passou rápido, voou. E aquele tempo era bom porque 15 anos estava aposentado. Deu 15 anos e o cara estava aposentado com 98% do salário”, comentou.
Há 34 anos, antes mesmo de se aposentar na mina, Quaglioto iniciou no ramo funerário, surgindo a Funerária Nossa Senhora da Conceição. O empreendimento surgiu devido ao cunhado, irmão da sua esposa, que possuía a Funerária Santa Bárbara. Conforme Vilmar, o cunhado deixou o negócio e ele foi cuidado por outras pessoas. Após um tempo, em que Quaglioto e sua esposa moraram em Criciúma, os dois retornaram para Urussanga e decidiu assumir a funerária a pedido do próprio cunhado. “‘Tá louco? Vou cuidar de funerária? Não vou nem lá'”, relembrou Vilmar sobre o que disse ao cunhado ao receber a proposta. Porém, a esposa decidiu aceitar o desafio e, com o tempo, a ideia deixou de ser tão estranha. Mas, segundo Quaglioto, a funerária não realizou nenhum atendimento nos primeiros três meses. “Eu chegava da mina, eu dizia pra minha mulher: se nós fossemos viver da funerária, nós morríamos de fome”, falou.
No entanto, os primeiros serviços foram solicitados e, com o tempo, o casal decidiu mudar o nome da funerária para Nossa Senhora da Conceição. Atualmente, o filho, Rangel Quaglioto, também está á frente da empresa. “Não é uma profissão qualquer, mas eu sempre gostei, tive muito amor nisso”, disse Vilmar. “Tem a funerária e o vendedor de caixão”, mencionou. “A gente tem aquele carinho, aquele amor pela família”, acrescentou.
Confira a entrevista também em vídeo:





































