Aguardada pelas comunidades de Rio Carvão e Santana há quase 50 anos, a expectativa pela pavimentação da rodovia dos Mineiros, em Urussanga, intensificou-se durante 2025. Isso porque, em várias ocasiões, o governador do Estado de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), comentou que iria pavimentar o trecho, pelo menos até o bairro de Santana. A expectativa pela concretização do sonho de Urussanga existe desde fevereiro, quando a prefeita Stela Talamini (MDB), durante o encontro com o governador no programa “Santa Catarina Levada a Sério”, apresentou a principal demanda do município: a pavimentação da rodovia dos Mineiros. Esse pedido também foi feito pelos representantes do Partido Liberal (PL) de Urussanga durante uma reunião com o governador, que é da mesma sigla, também em fevereiro.

Foi em julho deste ano que Jorginho Mello garantiu que o Governo do Estado iria pavimentar a rodovia dos Mineiros até Santana. A declaração foi feita após um questionamento da reportagem da Rádio Marconi, que esteve presente no evento “café com a imprensa”, realizado em Araranguá com a presença do governador. Desde então, uma comitiva de Urussanga esteve algumas vezes em Florianópolis para tratar sobre o assunto. O secretário-adjunto de Infraestrutura, Ricardo Grando, chegou a visitar a rodovia em 10 de julho deste ano. Ele, durante entrevista para a Rádio Marconi, mencionou que o governador estaria na região no final de semana. Havia assim a expectativa de o governador visitar Urussanga, o que não ocorreu. Foi divulgado então que o governador não iria visitar o município por orientação médica.

Em setembro, a comitiva de Urussanga esteve novamente em Florianópolis para discutir o projeto de pavimentação da rodovia dos Mineiros com o governador. Foi nesse encontro que ficou acordado que um convênio seria firmado entre o Estado e o município de Urussanga para a pavimentação do trecho. Ou seja: o município ficará responsável pela obra, enquanto o Estado liberará os recursos financeiros necessários.

Desde setembro, o município de Urussanga aguarda uma visita do governador Jorginho para a assinatura do convênio. Porém, antes mesmo de todo esse processo, a população já tinha uma expectativa ainda no início do ano, no dia 26 de maio, aniversário de 147 anos de fundação de Urussanga. Passados esses encontros, essa expectativa perdurou durante o mês de setembro, outubro, novembro e, agora em dezembro, mais um ano será finalizado sem a concretização desse sonho.

O ano está próximo do fim, e o governador ainda não esteve em Urussanga, e o detalhe é que o município está localizado a apenas 11 quilômetros de Cocal do Sul, cidade visitada por Jorginho Mello no sábado, dia 15 de novembro. Houve expectativa de que o governador pisasse em solo urussanguense quando esteve em Forquilhinha, no dia 30 de novembro, durante a abertura do Encantos de Natal, ou ainda quando passou por Criciúma, em 1º de dezembro. Também se aguardava sua presença na abertura do Natal Encantado de Urussanga, no dia 7 de dezembro, ou na escolha da rainha, no dia 8. No entanto, nenhuma dessas visitas se concretizou.

O fato é que Urussanga parece não estar no radar do governo estadual quando se trata de prestígio e, principalmente, da compreensão da urgência de uma obra aguardada há décadas pelas comunidades do município.

A última passagem do governador Jorginho Mello pelo Sul do Estado ocorreu nesse fim de semana, quando esteve na região para prestigiar uma missa campal, em Içara.

O que falta? Seria tão difícil ajustar a agenda para tratar de um assunto tão especial e relevante para a região?

O ano eleitoral se aproxima. E aqui fica a reflexão para toda a comunidade.

Usamos como gancho a pergunta feita pelo colaborador Sérgio Maestrelli a Ricardo Grando, quando este esteve na Câmara de Vereadores, em julho: “As ondas batem na praia e depois somem, ficando só a espuma”. Em outras palavras: é só falácia ou haverá, de fato, a concretização da obra? Grando afirmou que não viria ao Sul do Estado para “fazer espuma”, mas sim para fazer história.

Agora, resta aguardar qual história será contada: a de um olhar verdadeiro e diferenciado para a região ou a velha máxima de que a esperança é a última que morre.