Os valores e princípios éticos aprendidos desde pequeno, na família, fizeram com que Emerson Francisco Miyamoto Teixeira seguisse a carreira militar. “A partir do momento que você vem de uma educação pautada em princípios, você busca também depois realizar esses princípios na tua vida”, disse. Foi com esse pensamento que, em 1996, Miyamoto decidiu ingressar na Polícia Militar, após ter cumprido o período de serviço militar obrigatório no exército. Após quase 30 anos de trabalhos prestados à corporação, o Subtenente Miyamoto se aposentou no início deste mês, depois de ter tido passagens por Criciúma, Cocal do Sul, Florianópolis, Tubarão, Içara e Morro da Fumaça, onde finalizou seus serviços.
Em entrevista, Miyamoto contou que atuou em vários setores da Polícia Militar, desde a parte administrativa até no planejamento de operações. Porém, atuar como instrutor do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) foi uma das etapas mais marcantes de sua carreira. “Só em Morro da Fumaça eu ajudei a formar mais de 3 mil crianças, tirando Içara, Urussanga e outros lugares que eu trabalhei com o Proerd”, disse. “O Proerd foi muito prazeroso, muito construtivo, aprendia com as crianças, ensinava as crianças, aprendia com os pais”, acrescentou. O Subtenente Miyamoto participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e recordou mais sobre seus 30 anos de carreira. Ouça na íntegra:
Segundo Miyamoto, a área de segurança pública requer muito preparo, principalmente mental para saber lidar com situações difíceis. “É lógico que a gente acaba se deparando com muitas coisas negativas, muito suicídio, homicídio, acidente com morte e isso o policial tem que absorver e ele vai levar para casa”, comentou. O Subtenente recordou de uma situação que marcou sua carreira. Em uma ocorrência em Cocal do Sul envolvendo tentativa de suicídio, Miyamoto conseguiu conversar com a mulher, que estava trancada em casa, e fazer ela desistir de tirar a própria vida. “Isso é muito gratificante”, reforçou. “O serviço policial militar é muito gratificante, gratificante mesmo, porque as pessoas não veem, elas não acompanham o nosso dia a dia e o nosso trabalho tem muito mais para servir as pessoas, para ajudar do que trabalhar na repressão propriamente”, acrescentou.
Embora a carreira tenha desafios, Miyamoto destacou que nunca pensou em desistir de ser policial militar. “Nunca passou isso pela minha cabeça, nunca passou porque, como eu falei, isso são valores que foram plantados dentro da minha casa, dentro da minha família. Então, quando você veste a farda, ao longo do tempo ela se torna a tua segunda pele, você passa a ter muito amor pela tua atividade”, comentou. “Eu termino realmente a minha carreira de cabeça erguida com a satisfação da missão cumprida por tudo o que eu fiz e deixei de fazer também, errei, mas acertei também”, disse. Mesmo estando aposentado, Miyamoto não deixará de trabalhar. Isso porque pretende, agora, seguir a carreira de advogado. “Eu me formei em Direito, em 2006 eu passei na Ordem e daí por uma questão de impedimento você não pode advogar. Agora com a saída da Polícia Militar, eu vou seguir na carreira jurídica com orgulho, dando segmento a tudo aquilo que eu sempre trabalhei que foi em cima da ética e da disciplina”, contou.









































