O goleiro Caíque, do Criciúma, foi vítima de racismo após o empate em 1 a 1 contra o Brusque, no estádio Augusto Bauer. O jogador foi chamado de “macaco” por um torcedor, que foi identificado e detido no local. Na manhã desta segunda-feira, 10, Caíque concedeu entrevista coletiva e se manifestou sobre o caso. 

“É lamentável. Em 2025 a gente tem que viver com isso. Eu acho que a provocação no futebol existe sim, com respeito, como eu falei depois do jogo. A provocação é válida porque infelizmente faz parte, mas quando entra no ato do racismo, ou da homofobia no estádio, isso é muito complicado”, afirmou.

Após os insultos racistas, o goleiro chamou o árbitro da partida, Gustavo Bauermann, para denunciar o crime e identificou o torcedor, que foi detido. “Fiquei muito triste, muito chateado, espero que possa ter punição. Eu acho que tem que dar um basta nisso, porque está muito complicado. Todo jogo acontece um ato racista, tanto no futebol masculino, quanto no futebol feminino, uma pessoa de pele escura, de um cabelo black, então a gente tem que se unir para tentar acabar com isso”, disse.

O árbitro da partida registrou, em súmula, o caso sofrido pelo goleiro. Informo que após o final da partida o atleta Caique Luiz da Purificação, goleiro da equipe do Criciúma veio em direção ao árbitro da partida informar que foi vítima de um ato de racismo, no qual o atleta relata ter sido chamado de “Macaco” por um torcedor da equipe do Brusque, que foi identificado pelo atleta e foi conduzido pela polícia militar para a confecção do B.O. Até a finalização desta súmula não foi apresentado o boletim de ocorrência a equipe de arbitragem. Relato que a equipe de arbitragem não presenciou o fato. A polícia militar informou que o atleta e o torcedor identificado foram encaminhados para a delegacia da polícia civil”, diz a súmula. 

O Criciúma Esporte Clube, o Brusque Futebol Clube e a Federação Catarinense de Futebol publicaram notas oficiais após o ocorrido. 

Nota do Criciúma:

O Criciúma Esporte Clube vem a público manifestar seu mais veemente repúdio ao ato de racismo sofrido por nosso goleiro, Caíque, durante a partida contra o Brusque, realizada na noite deste sábado (08/02), no estádio Augusto Bauer, válida pela oitava rodada do Campeonato Catarinense. O lamentável episódio, protagonizado por um torcedor adversário, fere não apenas os valores do esporte, mas também os princípios básicos de respeito e dignidade humana.

Ressaltamos que o autor da ofensa foi devidamente identificado e detido pela Polícia Militar, reforçando a necessidade de punições exemplares para que casos como esse não voltem a se repetir nos estádios de futebol ou em qualquer outro espaço da sociedade.

Além do episódio de racismo, o Criciúma Esporte Clube lamenta profundamente as ameaças sofridas no local do ocorrido, bem como a situação de vulnerabilidade à qual nossa delegação foi exposta. Tais circunstâncias são inadmissíveis e exigem providências firmes.

Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a luta contra o racismo e toda forma de discriminação. O futebol deve ser um ambiente de respeito, inclusão e igualdade, e não de hostilidade e intolerância. Seguiremos firmes na defesa desses valores e na exigência por um esporte mais justo e seguro para todos.

Nota do Brusque:

O Brusque Futebol Clube repudia, de forma veemente, a prática do racismo, assim como a prática de qualquer outra forma de discriminação, que não podem ser toleradas no esporte ou em qualquer outro espaço da sociedade.

Quanto ao noticiado ato de racismo que o atleta Caíque, do Criciúma Esporte Clube, teria sofrido no Estádio Augusto Bauer, durante a partida válida pela 8ª rodada do Campeonato Catarinense, na noite de sábado (8), o Brusque Futebol Clube colaborou prontamente com as autoridades competentes, com o atleta Caíque e com os representantes do Criciúma Esporte Clube, fornecendo todas as informações necessárias e acompanhando a atuação da Polícia Militar e da Polícia Civil no estádio e na Delegacia.

O Brusque Futebol Clube seguirá acompanhando e colaborando na apuração dos fatos, aguardando o resultado das investigações e, uma vez comprovada prática do ato de racismo, que então deverá ser punido com o rigor da lei, adotar as eventuais providências que estejam a seu alcance.

O Brusque Futebol Clube, contudo, não pode ser acusado ou penalizado pelas más atitudes que teriam sido praticadas por um único indivíduo, torcedor do Brusque ou não, ainda sob investigação e sobre as quais infelizmente não tem qualquer controle.

Seguimos firmes e comprometidos com a luta contra qualquer forma de discriminação e finalizamos afirmando que todas as medidas de segurança e organização para que a partida transcorresse dentro da normalidade foram adotadas, sendo certo que, exceção feita a alguns atos de vandalismo ocorridos no interior dos banheiros da torcida visitante e ao alegado ato de racismo que está sendo averiguado, foi o que ocorreu.

Nota da Federação Catarinense de Futebol: 

A Federação Catarinense de Futebol (FCF) lamenta profundamente o ato de racismo contra o jogador do Criciúma, Caíque, ocorrido neste sábado (08/02) em jogo entre o seu clube e o Brusque, no estádio Augusto Bauer, pelo Catarinense Fort Atacadista. Racismo precisa ser banido da sociedade e é crime. O futebol tem como principal objetivo promover a confraternização e entretimento para as pessoas.

Inclusive, em 2024, a FCF lançou uma cartilha de combate ao racismo e faz parte desde o ano passado do programa “Cartão Vermelho para o Racismo”, no qual faz parceria com importantes instituições do Estado.

A FCF se solidariza com Caíque e sua família e espera que esse tipo de ação criminosa não volte a ocorrer.