A economia circular propõe que a geração de riqueza seja feita mediante a circulação dos materiais já extraídos. A explicação é do especialista em economia circular e professor universitário, Marcelo Souza. De acordo com o especialista, a economia linear, na qual a sociedade já está habituada, consiste na extração dos recursos naturais, processo, comercialização, utilização e descarte, diferente da proposta de economia circular. “Eu cesso a extração de novos recursos para que eu preserve essas jazidas e também dê tempo para a regeneração dos ecossistemas, e gera uma economia a partir da movimentação circular de recursos”, explica Marcelo sobre a economia circular.
Conforme o especialista, através da economia circular é possível reaproveitar inúmeros materiais e evitar mais extrações da natureza. “O equipamento eletroeletrônico, eu brinco, que é a maneira engenhosa de aplicar muitos tipos de materiais. Então, quando eu termino de reciclar o equipamento eletroeletrônico, ou utilizar, eu mando ele para reciclagem. Lá, eu vou extrair um ferro, um cobre, o alumínio, entre outros materiais que podem ir para as cadeias produtivas. Eu brinco que nós estamos, nesse momento, tendo a necessidade de falar sobre mineração urbana. A economia circular não pensa em mineração como nós estamos habituados, mas em uma mineração urbana, eu posso minerar alumínio a partir do resíduo, minerar cobre a partir do resíduo, minerar plástico a partir do resíduo”, conta.
Marcelo, que é autor do livro “Reciclagem de A a Z”, destaca que o Brasil não deixa a desejar quando o assunto é reciclagem comparado às grandes potências. Para o especialista, o Brasil possui excepcionais indústrias de reciclagem em todos os setores. “O que nós precisamos agora é fazer com que isso fique mais comunicado e criar um pouco mais de escala. Porém, sim, o Brasil é um grande reciclador. Sim, existem dificuldades, mas não somos os mais mal colocados nos ranks de reciclagem do mundo”, acrescenta. O assunto foi abordado em entrevista, entenda mais sobre o que é economia circular:
Sobre o seu livro, Marcelo conta que é uma coletânea de praticamente todos os setores de reciclagem no Brasil. A obra possui, ao total, 22 capítulos entre informações e até provocações sobre a economia linear. Segundo Marcelo, uma das provocações se refere ao Produto Interno Bruto (PIB). “O PIB é uma medição da economia linear, então se nós estamos querendo medir uma economia circular, naturalmente nós temos que mudar o indicador, então o PIB não é o melhor mecanismo para isso”, comenta. “O livro vai falar sobre logística reversa. Nós, no Brasil, somos muito bons em fazer logística reversa, nós fazemos logística reversa em um patamar que eu considero de excelência no mundo, porque nós temos um país de dimensões continentais e hoje, basicamente, o gás de cozinha é tudo por botijão. Nós fazemos a logística reversa dessa embalagem, então nós sabemos fazer logística reversa. A obra fala sobre o papel dos catadores, um histórico dos catadores, qual a relevância deles, qual a vantagem e qual a oportunidade que nós identificamos”, exemplifica Marcelo sobre os assuntos abordados no livro.
O livro “Reciclagem de A a Z”, de Marcelo Souza, pode ser encontrado na internet, em sites como a Amazon (acesse aqui).




































