Comparando as eleições municipais com as federais, é possível observar algumas diferenças. De acordo com o advogado especialista em Direito Eleitoral, doutor Luiz Magno Pinto Bastos Júnior, as eleições federais, principalmente quando se trata do presidente, são mais centradas em embates ideológicos. Já na eleição municipal essa ideia fica um pouco mais de lado. “Não só porque temos só eleição no município, mas porque aqui é onde as pessoas nascem, no município onde as pessoas vivem e, portanto, a definição do gestor vai estar atrelada diretamente às políticas sociais de atenção, vai estar aplicada diretamente na questão dos atendimentos, aquilo que são os serviços que a população sente na ponta”, destaca.
Nas eleições municipais deste ano, diversos municípios apresentaram novas opções de voto para a majoritária, fugindo um pouco da tradição da polarização de dois ou três partidos políticos. “Isso tem dois fatores. Me parece primeiro que existe de fato uma reconfiguração das forças partidárias e essa reconfiguração acontece no nível nacional. Nós tínhamos durante muitos anos um embate entre esquerda e direita baseada em grandes dois partidos no cenário nacional, que era o PT e o PBSD. E agora temos inúmeros atores que também estão nesses dois espectros de posicionamento e que de alguma forma também impactaram no Estado, porque o embate sempre foi muito forte na região Sul, sobretudo entre MDB, PP e o PT vez em quando. Acaba que essa configuração na verdade se diluiu, diluiu por força da reconfiguração partidária no plano nacional. Isso acabou impactando necessariamente nos planos locais, sem dúvida”, pontua.
Outro fator, segundo Luiz, é que desde 2020 as coligações proporcionais não existem mais. “Ou seja, para que um partido possa ter algum vereador eleito, ele precisa ter o número X de votos sozinhos. Só que em partida, isso faz com que também haja um fator de estímulo para que os partidos, mesmo sem ter grandes expectativas de brigar para serem eleitos, lançam nomes para a majoritária porque de alguma forma estão repetindo o número do partido, que fortalece a nominata dos vereadores do seu partido”, esclarece. “Me parece que nós temos também dois fatores, como disse: uma reconfiguração partidária nacional e de outro lado nós temos um incentivo pela legislação eleitoral”, acrescenta. O assunto foi abordado em entrevista com o doutor Luiz. Ouça na íntegra:
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