Esta sexta-feira, 15, é lembrada por ser o Dia da Proclamação da República. Feriado em todo o território nacional, muitos brasileiros se questionam o que de fato ocorreu neste dia e por que ele é comemorado até hoje. A data lembra quando o Brasil deixou de ser uma monarquia e passou a ser uma república, em 1889. “Na verdade, a gente tem um golpe, um golpe de estado que acontece no dia 15 de novembro de 1889, sob lideranças dos militares. Então, é um golpe de estado porque é um movimento que acontece dentro do próprio estado, por isso que é um golpe, se fosse um membro de fora seria uma revolução”, explica o professor de História da Escola Barão do Rio Branco, Lucas Bieger Rodrigues.
Segundo o especialista, o movimento que culminou na Proclamação da República tem um caráter militar, especialmente em sua essência, já que teve início no exército. Porém, houve um incentivo de membros da população, principalmente por parte dos latifundiários. Conforme o professor, na época, o país era governador por Dom Pedro II, que era uma pessoa de muito prestígio pela sociedade brasileira e até internacionalmente. “Porém, o Brasil, essencialmente depois da Guerra do Paraguai, passou por alguns problemas financeiros por conta do custo da guerra. Então, a gente estava com uma economia em crise ou em queda, com uma inflação alta”, explica.
Esses fatores também levaram aos problemas relacionadas à população, como a desigualdade social. “A gente tinha uma elite formada pelos latifundiários e um grupo muito grande de camponeses, pobres, e é essa elite responsável por organizar ou por incentivar também os militares a darem o golpe em 15 de novembro. Em relação à questão dos militares, eles participaram da guerra do Paraguai e se sentiam insatisfeitos com o resultado da guerra, porque eles ganharam a guerra, mas não foram reconhecidos tanto em salários quanto em condições de trabalho por esse feito. Então, eles queriam mais reconhecimento, mais participação, e toda vez que eles reclamavam eles eram censurados, eles não podiam ser reconhecidos”, conta o professor de História.
Todos esses pontos resultaram na Proclamação da República. Com ela, Dom Pedro e sua família foram convidados a se retirarem do país. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com o professor Lucas e com a aluna Eloisa Rinaldi Tavares. Ouça na íntegra:
Marechal Deodoro da Fonseca é um nome importante envolvido na época. Segundo o professor, ele era um soldado de alta patente e, por isso, ganhou destaque no movimento. “Porém, ele não é a principal figura como ele é descrito. A gente tem ele como símbolo do republicanismo, porém nem republicano ele era, ele era uma figura que era amigo do próprio Dom Pedro, ele era monarquista, mas devido a sua patente militar, ele conseguiu chegar à liderança do movimento usando dessa patente militar, já que é um movimento militar, então quem tem uma patente maior acaba assumindo”, afirma. “No caso do movimento de 15 de novembro também, ele foi colocado como porta-voz devido à sua importância militar, sua posição, e aí, em meio a isso, ele acabou ficando com os créditos do movimento”, complementa.
Lucas ainda esclarece que o movimento que resultou na Proclamação da República é visto como elitista, já que contou com a participação dos militares e dos latifundiários. “Até porque a população, de fato a população pobre do Brasil, que era a imensa maioria, nem sabia que isso tinha acontecido. A vida deles não mudou em um primeiro momento com a Proclamação da República. Quem era pobre, continuou pobre, quem era ex-escravo, continuou naquelas condições que vivia”, destaca. “As elites que influenciaram o movimento, começaram a se organizar e moldaram o nosso país a partir de seus interesses. Para a população, de maneira geral, não teve grandes mudanças”, salientou ainda.




































