Especialistas alertam para que adolescentes busquem acompanhamento médico a partir da puberdade. Diferentemente da grande parte das adolescentes, que fazem acompanhamento com o ginecologista a partir da primeira menstruação, os adolescentes não têm o costume de se consultar com um urologista anualmente. Esse é um alerta da 7ª edição da campanha #VemProUro, promovida pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Neste ano, a entidade destaca a varicocele, considerada a principal causa de infertilidade masculina.

De acordo com o doutor Daniel Zylbersztejn, a maioria dos homens costuma frequentar um consultório médico por volta dos 40 anos de idade, quando surge a preocupação com o câncer de próstata. “Isso já quase na metade de sua vida. Não à toa, hoje, no Brasil, nós temos uma longevidade das mulheres sete anos a mais do que os homens. Hoje, as mulheres vivem no nosso país sete anos a mais do que nós, homens. É uma discrepância muito grande”, comenta. Para o especialista, é necessário cuidar da saúde masculina desde a base, ainda na adolescência. “Fazendo com que a gente tenha também o hábito de levar os nossos meninos adolescentes ao médico, ao urologista, ao clínico geral”, acrescenta. O assunto foi destaque em entrevista, ouça mais:

 

Sobre a varicocele, o especialista explica que o problema é caracterizado pela dilatação das veias da bolsa testicular. Conforme o doutor Daniel, esse problema aparece principalmente na adolescência, por isso a necessidade do acompanhamento já desde cedo. A dilatação das veias gera um calor crônico. “O testículo precisa trabalhar numa temperatura mais baixa da nossa temperatura corpórea, uns 2°C, 2,5°C abaixo. Como a varicocele gera um aumento dessa temperatura crônica, ocorre, com o tempo, uma redução do volume testicular por perda das células que produzem os espermatozoides. Então tem uma redução de produção de espermatozoides e tem uma redução na qualidade desses espermatozoides que estão sendo produzidos por conta dos radicais livres existentes na região do testículo. Com isso, e como é uma doença que, na grande maioria das vezes, não traz nenhum tipo de sintoma, esse menino ele se desenvolve, entra na fase adulta jovem e aí daqui a pouco ele começa a se relacionar, ele casa e vai tentar engravidar, e quando for tentar engravidar suas parceiras, não consegue”, explica.

O doutor Daniel salienta ainda que esse problema poderia ser identificado muito antes, na adolescência. “Detectando isso lá na adolescência, se consegue também, em alguns casos, indicar as cirurgias, porque se comprova que está existindo um dano na produção de espermatozoides, e com isso a gente protege o testículo desse dano que ocorre por muitos e muitos anos. Então, essa é a nossa grande preocupação, nosso grande tema da campanha #VemProUro, que é uma campanha de conscientização da saúde dos nossos adolescentes aqui no nosso país”, afirma.