O município de Pedras Grandes pode romper o pacto de amizade com a cidade de Belluno, na Itália. Isso porque o prefeito Agnaldo Filippi (PP) vai encaminhar um projeto de lei para a Câmara de Vereadores propondo o rompimento do pacto, que deve ser votado na semana que vem. Em entrevista, Agnaldo explicou que a decisão é uma forma de protesto contra o Decreto-Lei número 36/2025, que limita o acesso de cidadania italiana por descendência. “Eu penso que nós levamos um tapa na cara da Itália com a aprovação do decreto-lei, esse é o decreto da vergonha, do Tajani, lá do conselho de ministros e a nossa manifestação tem sido apenas retórica, sem, vamos dizer, verticalizar o que nós pensamos lá na Itália, ou seja, deixando claro que a gente influencia muito pouco e interessa muito pouco também tanto à população italiana quanto ao governo italiano”, comentou, acrescentando que as associações com representações na Itália também não se manifestaram sobre a aprovação do decreto.

Com a aprovação do rompimento do pacto na Câmara de Vereadores de Pedras Grandes, o projeto será encaminhado a cidade de Belluno, que deverá fazer o processamento administrativo público. “Eu quero crer que o comportamento deles enseja da gente um pouco mais de altivez, não apenas falando. Nós somos contra esse absurdo, essa vergonha que foi processada e aprovada lá, esse decreto do Tajani. Nós precisamos fazer algo do ponto de vista prático, aquilo que está na nossa mão, que está no nosso alcance”, disse. “Não tem a ver com Belluno, não tem a ver com as pessoas. Tem a ver com a Itália”, frisou o prefeito. “Nós não procuramos absolutamente nada da Itália do ponto de vista financeiro. Eu digo sempre, os europeus que para cá vieram há muito tempo atrás construíram aqui uma história que é o que nós gostaríamos apenas que fosse conhecida pelo italiano, para que ela pudesse ser respeitada. Ela não é conhecida, eles não têm interesse de conhecer, portanto eles não respeitam essa história”, afirmou.

Em entrevista, o prefeito Agnaldo também criticou a celeridade com que o decreto-lei foi aprovado, sem as devidas discussões necessárias. “A maneira com que se reformou essa lei foi muito radical e ela foi extremamente agressiva, deixando muito claro que eles não conhecem a nossa história e que não respeitam ela”, reforçou. “Algo que já marcou e vai ficar de forma indelével é a aprovação, mesmo que isso retroaja, mas o tapa na cara já foi dado”, comentou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista ao programa Comando Marconi. Ouça mais na íntegra:

 

Filippi ainda criticou o silêncio sobre o assunto por parte de representações e autoridades da Itália. “Nenhuma nota oficial, pelo menos que eu tenha conhecimento, para dizer ‘olha, algo precisa ser feito para desacelerar essa corrida insana apenas ao passaporte’, ótimo, sem problema nenhum”, comentou. “Eu acho que a gente tem, do ponto de vista prático, dar uma demonstração de que nós não somos mais, mas também nós não somos absolutamente menos do que eles”, pontuou. O prefeito também afirmou que pretende se posicionar sobre isso em relação aos festejos dos 150 anos de imigração italiana no Sul de Santa Catarina. “Terá que acontecer em Azambuja porque a história também, ao longo do tempo, foi contada de forma mentirosa nessa região, porque a primeira colônia de imigrantes italianos é Azambuja. Não é a maior, não é a melhor, não é a pior, mas é a primeira e, se essa festividade acontecer, que no meio entendimento não deve acontecer porque nós não temos absolutamente nada para comemorar, tem que acontecer lá em Azambuja, aí vai ter que passar pelo nosso crivo, com certeza absoluta”, disse.