Seja no trabalho, nos estudos ou até mesmo para ajudar na elaboração de uma simples lista, a Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais presente na vida das pessoas. Com esse crescimento, surge a dúvida de até que ponto essa dependência da ferramenta vai. “Sim, existe uma dependência da tecnologia, não só da Inteligência Artificial, mas nós temos várias publicações que falam, inclusive, dos danos do vício com o uso de tecnologia e de telas”, ressalta Flora Alves, especialista em educação corporativa. Para Flora, no ambiente corporativo, o uso da tecnologia vem acompanhado a uma cobrança de performance. “Mais do que a gente observar essa dependência do uso da Inteligência Artificial, eu questionaria a forma como nós estamos nos aproximando do uso dessa tecnologia, ou seja, nós estamos deixando de ganhar produtividade porque talvez não estejamos focando naquilo que seja essencial para a execução do nosso próprio trabalho”, fala.

A especialista ressalta que o uso da IA, de uma determinada forma, torna-se prejudicial para o desenvolvimento profissional. “Eu vejo a tecnologia como uma aliada. Nós não somos inimigos da tecnologia, nós precisamos aprender a utilizar essa tecnologia em nosso favor”, conta. Floria explica que, na cobrança de performance, muitas vezes inacessível, a pessoa se sente desesperada para usar a tecnologia. “Ao invés de encontrar um ambiente favorável para aprender sobre o uso da tecnologia e, sobretudo, para as habilidades humanas que vão nos diferenciar dessa tecnologia. Isso acaba, então, virando um ciclo vicioso”, reforça. “É importante envolver a liderança nesse processo para que a gente consiga priorizar aquele aprendizado que é essencial com relação à tecnologia, mas não dissociado das habilidades humanas que são muito necessárias, inclusive para que a gente obtenha produtividade com o uso da tecnologia”, acrescenta.

Mesmo usando uma IA, como o Chat GPT, que é o mais conhecido, a especialista frisa que é preciso de um pensamento crítico para saber utilizar a ferramenta. “Para você conseguir um resultado criativo a partir da Inteligência Artificial é preciso que você faça uma solicitação para ela utilizando a inteligência humana, que implica no uso do pensamento crítico, analítico, criativo. Então, a forma como você faz esse pedido define a qualidade do que você vai ter como resultado. Por isso, é importante olhar para o ser humano como a peça essencial para o bom uso da tecnologia e o desenvolvimento das habilidades que efetivamente são as habilidades consideradas como essenciais”, pontua. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com Flora no programa Ponto de Encontro. Ouça mais:

 

Flora frisa que a IA não consegue substituir o que o olhar humano tem: senso crítico e analítico. “A gente pode até, digamos, substituir uma determinada atividade como essa de criação de marketing, marketing nas redes sociais para o Chat GPT, mas se a gente não fizer uma interferência, não colocar uma pitadinha humana ali, a pessoa para quem esse anúncio se destina vai perceber e aí vai se sentir como ‘poxa vida, eu estou sendo massificado por essa propaganda’. As coisas começam a ficar todas iguais, com a mesma cara. Então, essa presença humana é essencial”, comenta.