O programa Ponto de Encontro recebeu a professora aposentada Glória Maria Tomasi, que reviveu histórias marcantes da sua vida, em uma conversa carregada de emoção, lembranças e exemplos de superação. Ouça a entrevista completa e saiba mais:
Natural da comunidade de Rio Caeté, em Urussanga, dona Glória contou que iniciou os estudos na própria escola do interior, em uma época em que o acesso à educação era limitado e muitas vezes interrompido pela necessidade de ajudar a família na roça. Filha de Antônio Tomasi e Tereza Zanatta Tomasi, a ex-professora urussanguense relembrou que, após concluir apenas a terceira série, precisou abandonar a escola por falta de continuidade no ensino. “Na nossa escola, só tinha a terceira série e a quarta série, assim, quando tinha alunos que dessem para fechar a turma, se não, não tinha. E aí o meu pai tirou, porque acabou, não teve a quarta série”, relatou.
Mesmo assim, o desejo de estudar ainda continuou presente. Já adolescente, Glória decidiu retomar os estudos por correspondência. “Mas como estudar se eu morava lá no Rio Caeté, não tinha ônibus, não tinha nada. Então, me veio na cabeça a ideia de escrever pelo Instituto Universal Brasileiro, e eles responderam a minha cartinha, imagina, cheia de erros, porque foi só a terceira série também”, relembrou. O período foi marcado por dificuldades como a falta de professores e sem livros ou outros recursos. Além disso, as provas precisavam ser feitas fora do município, em cidades como Criciúma e Tubarão. “Dificuldade de estudar sozinha, sem ninguém para te ajudar. Sem professora. Matemática moderna, tudo aquelas, x, y, aquelas coisas tudo, e eu não sabia nada disso aí. Mas eu consegui, graças a Deus, consegui superar todas”, disse.
Com muita dedicação e persistência, dona Glória concluiu o ensino fundamental, seguiu para o ensino médio no Colégio Rainha do Mundo e, mais tarde, ingressou na faculdade de Biologia, então pela Fucri, atual Unesc, onde chegou a conquistar o primeiro lugar no vestibular. “Era tudo coisa nova, assim, eu com muito pouca base também, então andei reprovando algumas disciplinas e tal, mas fui indo, não desisti”, destacou. Ao longo da carreira, atuou como professora em escolas de Morro da Fumaça e Urussanga, como Princesa Isabel, Lucas Bez Batti, Barão do Rio Branco e Antonieta Quintanilha de Andrade, no Rio América.
A entrevista ainda contou com mensagens de ex-alunos, muitos deles hoje atuando em diferentes áreas. Para dona Glória, esse reconhecimento é a maior recompensa da profissão. “Eu acho que a maior satisfação da nossa profissão é rever os nossos alunos, saber que eles estão bem. Eu tenho alunos que são médicos, tenho alunos que são advogados, tenho ex-alunos que são professores, que também escolheram essa profissão, vendo e gostando do que a gente fazia. Então, eu acho que é uma coisa que vale a pena mesmo”, finalizou dona Glória.





































