A situação da dengue em Santa Catarina tem gerado preocupação neste início de ano. Em entrevista ao programa Ponto de Encontro, a bióloga Joziana Muniz de Paiva Barçante e João Augusto Brancher Fuck, diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE-SC), analisaram os desafios no enfrentamento da doença.

“A gente viu uma transmissão importante de dengue no ano de 2024. Foram mais de 340 mil casos prováveis notificados, infelizmente 340 óbitos pela doença no estado. A gente viu uma antecipação da curva de transmissão ano passado, uma curva que se manteve elevada durante mais de dois meses, até que a gente entrasse numa redução. Então, foi uma doença que causou um grande impacto no estado no ano de 2024”, explicou o diretor.

De acordo com o primeiro informe epidemiológico de 2025 da DIVE-SC, atualizado em 13 de janeiro, foram notificadas 3.296 suspeitas de dengue em Santa Catarina. Deste total, 2.102 foram classificados como casos prováveis, incluindo confirmados, inconclusivos e suspeitos. Os números indicam um aumento de 2,44% em relação ao mesmo período do ano anterior, que registrou 2.052 casos prováveis.

A vigilância também identificou no período de 29 de dezembro de 2024 a 13 de janeiro de 2025, 1.487 focos do mosquito Aedes aegypti em 145 municípios. Dos 295 municípios catarinenses, 175 são considerados infestados pelo vetor. A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

O informe destacou ainda que, além do aumento de casos prováveis de dengue, foram notificadas 15 suspeitas de chikungunya, das quais 11 foram confirmadas como prováveis. Por outro lado, não houve registro de casos de Zika no estado até o momento.

FOTO 01
Dados do Informe Epidemiológico N°01/2025 (período de 29 de dezembro de 2024 a 13 de janeiro de 2025)

“Quando a gente olha para 2025, a gente tem visto um cenário muito semelhante ao que aconteceu em 2024. Então, os dados dessas três primeiras semanas de janeiro mostram números muito semelhantes ao que aconteceu ao ano de 2024”, aponta João. Ainda segundo o especialista, o aumento dos focos é um sinal de alerta para a população. “É um alerta para os ouvintes, para a população, mostrando que a gente pode ver um aumento, uma aceleração dessa curva de transmissão nas próximas semanas. Então, é fundamental reforçar as medidas de prevenção, mas também ficar atento à doença, aos sintomas dela, especialmente a busca por um serviço de saúde, para que a gente não veja também um aumento dos óbitos nas próximas semanas”, frisa.

O assunto foi destaque em entrevista com o diretor da DIVE. Saiba mais:

 

A pesquisadora Joziana também enfatizou a tendência de aumento de casos e classificou como crítico o cenário atual da dengue. “Então, quando a gente pega os dados de todos os países das Américas, a gente vê que há um aumento a cada ano, e 2024 foi o pior cenário de toda a história de dengue no mundo. Então, é bem crítico”, revela.

Os especialistas indicam que o aumento dos números não estão ligados a uma causa específica, mas sim a um conjunto de fatores que se somam a cada ano. “A gente pega as evidências científicas, o aumento das temperaturas globais, elas são importantes nesse ponto. Então, há décadas a gente vem discutindo aquecimento global, mas eu acho que a gente começou a vivenciar isso, aos olhos de todos, mais recentemente. Então, um calor mais intenso, um aumento das chuvas, isso tudo favorece o ciclo desse inseto”, esclarece a bióloga.

Além disso, componentes do nosso dia a dia também favorecem e aumentam os riscos, à medida que a industrialização do país avança. “Os resíduos plásticos, eles são ali um criadouro importantíssimo para esse inseto, o Aedes aegypti. Uma tampinha de refrigerante deixada no ambiente, ela serve ali como um criadouro. Então, quando a gente pega o acúmulo de plástico, a baixa reciclagem desse produto, a deposição dele no ambiente, a elevação das temperaturas globais, o aumento das chuvas, a adaptação do inseto, são vários fatores que vão se somando”, informa.

Confira mais detalhes sobre o tema em entrevista com a pesquisadora Joziana. Ouça na íntegra:

 

Recomendações importantes

  • Evite que a água da chuva fique depositada e acumulada em recipientes como pneus, tampas de garrafas, latas e copos;
  • Não acumule materiais descartáveis desnecessários e sem uso em terrenos baldios e pátios;
  • Trate adequadamente a piscina com cloro. Se ela não estiver em uso, esvazie-a completamente sem deixar poças de água;
  • Manter lagos e tanques limpos ou criar peixes que se alimentem de larvas;
  • Lave com escova e sabão as vasilhas de água e de comida de seus animais de estimação pelo menos uma vez por semana;
  • Coloque areia nos pratinhos de plantas e remova duas vezes na semana a água acumulada em folhas de plantas;
  • Mantenha as lixeiras tampadas, não acumule lixo/entulhos e guarde os pneus em lugar seco e coberto.