Criado com a intenção de reduzir o vício da nicotina, presente nos cigarros comuns, o cigarro eletrônico não é “saudável” como muitos pensam. Especialistas alertam que a nicotina presente no cigarro eletrônico chega a ser 50 vezes maior do que uma carteira de cigarro. De acordo com o vice-presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de Santa Catarina (Socesc), doutor Alexandre David Ribeiro, o cigarro eletrônico, também conhecido como “vape” ou “pod”, possui um líquido com nicotina.  “Ele é fumado, aspirado, num depósito que tem o líquido desta nicotina, aquecido por uma pilha de lítio e que traz alguma essência mais agradável, que pode fazer com que os adolescentes, inclusive, acabem buscando por ele como sua primeira experiência”, explica.

Para o especialista, os riscos causados ao fumar um cigarro eletrônico são maiores do que fumar o cigarro normal. “É como se fosse o tempo de fumar um cigarro eletrônico pudesse ser como alguém que fumou 20 cigarros”, destaca. O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro com o doutor Alexandre. Ouça mais:

 

Segundo o doutor, os pods possuem os mesmos riscos para os fumantes ativos e passivos. “Tem um estudo realizado que mostrou entre o marido tabagista, a esposa e também o bebê. Ele fumando o cigarro eletrônico foi detectado níveis de nicotina tanto no leite materno quanto nas secreções do bebê e da esposa, da mesma forma que a gente identifica no cigarro comum”, comenta. “Ele não é uma forma inofensiva ou menos agressiva, ele pode até ser mais grave e não é nada inofensivo para o risco que se tem. Ele é uma nova roupagem de um velho problema”, acrescenta.

Alexandre ainda frisa que os cigarros eletrônicos possuem vários aditivos. “Ele tem vários solventes que estão colocados dentro dele. Esses solventes estão emolientes para que a estrutura possa ser absorvida quando aquecida por essa bateria de lítio. Esses solventes, esses produtos, eles têm o intuito de levar a nicotina nesta forma, aspirada para dentro do pulmão. São produtos até que muitas vezes a gente não tem ainda o impacto do risco dele”, explica.

No Brasil, o cigarro eletrônico tem sua venda proibida desde 2009. “As empresas do mercado de tabaco querem a liberação dele por ser um mercado promissor. Então cabe à sociedade, aos meios de comunicação, ao médico e as pessoas que têm acesso a essa informação de disseminar esse risco para que não se torne uma pandemia como o uso de drogas”, orienta o especialista. “Se a gente fizer essa campanha e ensinar as pessoas, elas vão ter a opção de escolher o modo correto de fazer e intensificar também a fiscalização em relação ao contrabando, porque se ele é um produto ilegal, ele tem alguém que está abastecendo esse mercado”, complementa.