Faltam poucas semanas para mais uma edição da Vindima Goethe, a tradicional celebração da colheita da uva. O vinho da uva Goethe remete aromas de flores, frutas e de outras especiarias. De acordo com Patrícia Mazon, presidente da Associação dos Produtores de Uva e Vinho Goethe (ProGoethe), o vinho traz frutas cítricas, como abacaxi, maçã verde e maracujá, além de flores brancas como lírio, flor de laranjeira e também favo de mel. Todas essas características foram pensadas anos atrás por um botânico chamado Edward Stanford Rogers, em 1851. Segundo Patrícia, a família era de origem irlandesa, mas Edward nasceu na cidade de Salem, em Massachusetts. “Quando ele desenvolveu a uva Goethe, ele tinha dois objetivos, primeiro: que as Américas pudessem ter vinhos e produtos à altura daqueles da terra-mãe, da Europa, porque ele era de família irlandesa”, disse. “O segundo aspecto foi uma doença importada pela França através de uma uva da Califórnia, também lá nos anos 30 do século 19, chamada de filoxera, ou seja, a uva americana, porque as Américas também tinham umas uvas, que eram as uvas selvagens, as chamadas de Labrusca, as uvas de mesa, Niágara, Isabel, essas que a gente conhece que compra para chupar no mercado, ela é resistente a uma praga que dá na raiz, chamada filoxera”, acrescentou.
Segundo Patrícia, Rogers trabalhou com a questão de genética até chegar na uva Goethe. “É filha da Moscato de Hamburgo, Moscato de Alexandria e Schiava Grossa, variedades muito atuantes no norte da Itália, sul da Alemanha, aquela região de onde vieram os nossos imigrantes”, disse. Das variedades que Rogers cultivou, a Rogers nº1 foi denominada de Goethe em homenagem ao escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, no qual Rogers mantinha grande admiração. “O primeiro pesquisador brasileiro que foi fundo nessa história foi o urussanguense, o nosso conterrâneo, o Edson Mariot, que é professor da Escola Agrícola de Camboriú. Ele foi o primeiro que trabalhou essa questão da origem da Goethe e quem trouxe o nome Goethe para a nossa região, porque o famoso vinho branco de Urussanga, ninguém sabia o nome da uva, era vinho branco”, contou Patrícia. Hoje, os municípios de Urussanga, Pedras Grandes, Morro da Fumaça, Cocal do Sul, Treze de Maio, Nova Veneza, Içara e Orleans, no Sul catarinense, compõem a área chamada de Vales da Uva Goethe, que recebeu neste ano o selo de Denominação de Origem (DO).
Em entrevista, Patrícia ainda falou sobre como a uva Goethe chegou a terras urussanguenses e hoje é um dos principais símbolos da cidade. Ainda quando Urussanga era colônia, as autoridades notavam a tristeza do imigrante italiano em não conseguir produzir um bom vinho. “O italiano chegou aqui e começou a se organizar socialmente. Não tinha escola, não tinha médico, não tinha padre e não tinha o vinho, que é uma parte do alimento”, comentou. Patrícia relembrou que, por volta do final do século 19, Giuseppe Caruso MacDonald chegou a colônia como agente consular. Ele, junto com a igreja, traziam informações sobre as novidades do mundo novo. “O nosso agente consular chegou aqui, percebeu essa carência, com certeza ele foi circular pelo país para entender que tipo de uva se daria bem na nossa região que pudesse dar um bom vinho”, disse, acrescentando que foi em São Paulo, em um viveiro de uma família italiana, que Giuseppe encontrou algumas mudas frutíferas, entre elas a da uva Goethe. “O italiano daqui desenvolveu toda uma tecnologia para lidar com essa uva e com esse vinho branco”, destacou, contando também que era comum os antigos confundirem o vinho Goethe com o Moscato.
Patrícia Mazon participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a história da uva e do vinho Goethe. Ouça na íntegra:
É possível também saber mais detalhes da história no Manual de produção da uva Goethe, desenvolvido pela Epagri (CLIQUE AQUI).
Confira também um documentário sobre a uva e o vinho Goethe produzido pela jornalista Eliana Maccari e por Willian Mariot:






































