O sul-cocalense e caminhoneiro Pedro Valdir Biz, popular Cristo, participou de uma entrevista especial no Ponto de Encontro. Valdir tem esse apelido há décadas, no qual começou quando ele trabalhava na Ceusa. “Foi mais quando eu comecei a trabalhar com o Luli Cesca, em 1972, 1973, que o Luli comprou dez caminhões aquela vez, e daí eu trabalhava na Ceusa”, falou. Cristo disse que o encarregado dele na época era o senhor Cláudio De Brida e contou a história do porquê ficou conhecido dessa maneira. “Chegou no sábado e disse ‘ó, vocês segunda-feira vão cortar o cabelo. Senão não vão mais trabalhar aqui.’ Aí nós olhamos, eu e o Pedro, assim, não, né? Aí fomos obrigados a vir no Mazzucco cortar o cabelo. Mas não cortamos muito. Cortamos só as pontas”, contou, ainda mencionando seu colega de trabalho.
“Chegamos lá na segunda-feira, não deixaram nós bater o cartão. Fomos cortar o cabelo, vamos cortar o cabelo. Daí cortamos”, comentou Valdir. Após isso, Cristo realizou uma viagem e ficou fora da cidade por volta de um mês. O caminhoneiro continuou contando a história. “Aí vim embora triste, cabelo comprido, né? Porque fora de casa a gente não era acostumado. Daí tinha o Borga lá do Belvedere, que disse: ‘Isso aí parece até o Cristo na cruz’. E pegou”, descreveu. Ouça a entrevista completa com Valdir:
Valdir sempre morou em Rio Perso, bairro de Cocal do Sul. Ele conta que morava na casa de seu avô quando criança, ou como ele disse, seu nono, até seu pai fazer uma outra casa. “O pai fez essa casa aí faz uns 65 anos, eu tinha uns 10 anos, eu acho”, afirmou. Cristo tem oito irmãos. “Duas mulheres, depois dois homens e depois quatro mulheres. E graças a Deus temos ainda tudo aí”, enfatizou. “Ali tem, meu pai tinha três irmãos que moravam ali, o pai do Aldo, que era o tio Quintino, tinha o tio Bepi (…) lá em cima. E tem a mãe do Gídio Sartor, que faleceu esses dias, que era a última da família, da irmã do pai, a mãe do Gídio Sartor, tia Lúcia”, contou. “A minha mãe é Possamai, ali de Cocal. Só que ali tem quatro irmãs, casaram duas com os Biz e duas com os Zaccaron. Então, ele ficou uma parentagem”, acrescentou.
Valdir relatou sobre quando ele e outros caminhoneiros viajavam juntos e destacou um ocorrido de quando eles estavam vindo de Belo Horizonte. “Chegamos ali perto de Curitiba, eles estavam arrumando uma ponte ali e a fila estava parada”, disse. “Aí veio um Opala lá meio metido, passou na frente do Ripa, que jogou pra dentro porque vinha outro caminhão e o coitado do Ripa quase tombou o caminhão. E parou assim no acostamento, saltou pra fora com um facão”, contou Cristo. “Aí com um facão deu quatro riscos no vidro e os caras dentro quietos”, acrescentou. Valdir explanou que após a fila abrir, o motorista do Opala foi até o posto policial para denunciar Ripa.
“O cara parou e entregou o Ripa. Disse ‘ó lá tem um cara assim, um caminhão que me puxou o facão, coisa e outra’. E o cara foi embora, o do Opala, claro”, salientou, ainda falando sobre a fúria de Ripa. Segundo Cristo, o guarda foi abordar Ripa, que ficou indignado quando soube que o motorista do Opala havia seguido trajeto. “O Ripa brabo ‘esse diabo onde é que tá? Por que que tu não segurou ele aqui? Eu quase tombei o caminhão por causa dele’, aí eu sei que no fim deu a multa”, disse Cristo sobre a fala de Ripa.
Infância e adolescência
Cristo contou que quando era criança acordava por volta de 5 horas da manhã e ia a pé na missa em Rio Caeté. “O Padre Agenor ia rezar uma missa por mês lá, 7 horas da manhã, só que tinha que vir cedo para se confessar. E não podia tomar café, nada antes. Tinha que ficar desde o dia antes em jejum”, explicou. Quando maior, Valdir ia à missa e depois ia caçar. “Vinha embora para ir caçar. Mas caçar de funda, porque o pai tinha espingarda, essas coisas não deixava”, salientou. Cristo estudou no Rio Caeté e sua primeira professora foi Maria Daltoé Trevisol. Ele contou que a dona Lourdes Vendramini também deu aula para ele. Valdir foi até a 3ª série, porque depois precisou sair para trabalhar na roça, pois não tinha condições. “Mas não gostava muito da roça. O pai às vezes mandava nós ir na roça, mas ia porque tinha que ir”, comentou.
Plantações e criações
Cristo trabalhou durante a sua infância e adolescência na roça. A maioria dos alimentos que eram consumidos na época eram as próprias pessoas que cultivavam. Eles priorizavam colher as melhores espigas de milho, após ia para a tafona. “O arroz era plantado, colhido, tudo em casa, secado. Batia o arroz dentro da sala, em cima de uma mesa. Cortava ele compridinho, que era meio metro na palha ali, e batia”, detalhou. “E plantar o café. O café nós colhíamos, o café depois deixava secar, depois moía, feito o café de casa. Era galinha, era do porco, o porco era criado em casa, tudo, tudo”, destacou. “Então tinha uma chácara de banana, aí carregava a carga de banana com o carro de boi”, acrescentou. Cristo falou que eles passavam dificuldades na época. “Não tinha dinheiro, não sei como meu pai fez essa casa que tem lá, porque hoje vai lá, compra isso, compra aquilo”, ressaltou.
Trabalhos depois da roça
Cristo trabalhou na Eliane por volta de 1968, quando fez 18 anos. “Pegava às 5 horas na Eliane, saía de casa as 4 horas, de bicicleta, sem farol, tinha que ir numa escuridão só ali naquele morro do mato”, contou ainda mencionando que trabalhava até as 13 horas. Após a Eliane, Valdir trabalhou na mina de Santana. “Desde o primeiro dia que eu desci eu disse ‘não né? Aqui é lugar pra tatu”, comentou. Após isso, ele foi trabalhar na Ceusa, disseram a ele que o Luli precisava de motorista. “Daí, quando foi falado: “Não, vocês querem fazer umas viagens para ver se se pega no tranco?” Ah, imagina, era o que a gente queria”, frisou. Ele fazia viagens para Belo Horizonte. “É que assim, hoje, se fosse para ir para São Paulo, eu não vou mais, não. Muito trânsito. Hoje tem esses caminhões aí que andam. Então, agora faz uns 30 e poucos anos que eu faço só ali, Caxias, Flores da Cunha, ali”, explicou. Cristo está até hoje trabalhando como caminhoneiro, foi a sua principal profissão.







































