Maio é o mês de conscientização sobre a doença celíaca. O gastroenterologista Alexandre José Faraco participou de entrevista no Ponto de Encontro e destacou pontos importantes sobre a doença. “O glúten vai promover um processo de inflamação no trato digestivo, com repercussão no corpo inteiro, então isso é a doença celíaca”, explicou. Segundo o profissional, na prática, cerca de 1,5% da população é celíaca. “Uma doença que pode ter poucos sintomas e eles estão por aí, com uma dor de barriga, com uma enxaqueca que não melhora com nada e estão achando que não tem nada. E numa dessas tem uma doença celíaca”, completou, ressaltando que a doença traz prejuízo a longo prazo.
A doença pode estar presente em qualquer idade, tanto para homens, quanto para mulheres. Faraco alertou que, através da doença celíaca, é possível desenvolver outras doenças. “Aumenta em 10 vezes o risco de câncer do trato digestivo se não for tratada. Então, é esse risco que te traz. Se tu vira um paciente inflamado, em sendo inflamado é mais fácil ter um infarto, é mais fácil ter um derrame, uma trombose, só pelo fato de tu ser inflamado”, alertou. “Está comendo todo dia algo que gera uma produção de anticorpo que faz que tu fique inflamado”, acrescentou. Além dessas, o médico mencionou outros sintomas que podem surgir através da doença celíaca. “Estufamento, posso ter uma diarreia, mas os sintomas são N. Tem paciente que é celíaco que o único sintoma as vezes da mulher é infertilidade, não consegue engravidar. Ou faz aborto de repetição. E aí tu vai investigar, investiga, era celíaca, tira o glúten, ela é engravida natural”, frisou.
As pessoas celíacas precisam seguir uma dieta regrada. “É zero para o resto da vida. A partir de diagnosticar a doença celíaca, é o resto da vida”, enfatizou. De acordo com o gastroenterologista, a doença possui muitas variações, podendo inclusive ter casos hereditários, ou seja, passar de pai ou mãe para filho. O profissional explicou quais medidas são tomadas com os casos e comentou que estudar a árvore genealógica do paciente faz parte do processo de investigação, para saber se a pessoa possui a doença celíaca. “Tem o exame de transglutaminase que a gente faz para triagem, que é um exame de sangue que o SUS dá, mas o ideal é a endoscopia com a biópsia de segunda porção, que também tem pelo SUS”, disse. “Se o paciente tem uma suspeita, a gente faz. Se o paciente é de uma família que a gente já sabe, tu já investiga”, completou.
Contaminação cruzada
O doutor Faraco enalteceu os cuidados com a contaminação cruzada e explicou como ela funciona. “Para cada 1 milhão de gramas de glúten, o celíaco tolera até 20 gramas. Para cada 1 milhão de partes, então 20 gramas. Se eu tenho uma contaminação cruzada que passa disso, então eu começo a ter sintoma, porque vai inflamar”, explanou. “Temos cervejas modificadas quimicamente para ter menos de 20 partes por milhão (…) se eu tenho 19 em uma, com duas eu passo a ter 38. Com três, quanto que eu vou ter? É mais que 20. Então, eu estou contaminando”, exemplificou. Ouça mais detalhes do assunto na entrevista realizada no programa Ponto de Encontro:
Preconceito com celíacos
As pessoas celíacas também sofrem preconceito e Faraco enfatizou casos de familiares. “O preconceito tem, eu te falei que é mais na família, porque é assim, é bobagem, é só um pouquinho. Não é só um pouquinho, tu pode até 20 partes por milhão, 20 partes por milhão é migalha de pão na mesa”, destacou, conscientizando que a doença celíaca é algo sério. “A doença celíaca dá em processo inflamatório. E esse processo inflamatório se perpetua, às vezes, por mais de mês”, contou.








































