A influência da imigração italiana na identidade cultural do município de Treviso é tema de pesquisa do doutor Vilmar Dal Bó Maccari. Intitulada como “A Formação da Identidade Sociocultural e Espacial de Treviso (SC): A contribuição do Catolicismo de Imigração Italiana“, a pesquisa será apresentada no Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), em Florianópolis, na próxima quarta-feira, dia 15 de abril. Em entrevista, o pesquisador Vilmar destacou que sempre teve interesse em saber mais sobre a história da imigração italiana no Sul catarinense. Agora, na conclusão do pós-doutorado, procurou trabalhar especificamente o município de Treviso. “Nós observamos que nós temos bastante material sistematizado, estudado, a respeito de Nova Veneza, Azambuja, Urussanga, até mesmo Siderópolis, a Nova Belluno. Mas, quando nós entramos dentro do território de Treviso, observou-se que não tem muito material acerca do município e acerca da história própria do município”, justificou.

A partir dessa observação, o doutor Vilmar decidiu se aprofundar mais sobre a imigração italiana na região. Para isso, foram analisados diversos documentos e realizadas entrevistas com moradores da comunidade. A ideia, segundo Vilmar, não foi só recontar a história da cidade, mas reinterpretar ela tendo como perspectiva o desenvolvimento territorial de Treviso. “O que significa dizer? O que nós podemos agregar e se desenvolver, mirando o futuro, com base naquilo que nós recebemos do passado”, explicou. “Fizemos uma leitura do fenômeno e impulsionamos, com esse trabalho de pesquisa de pós-doutorado, a contribuição para o futuro, o desenvolvimento territorial do futuro da nossa pequena e grande Treviso”, acrescentou Vilmar. Conforme o historiador, as pessoas entrevistadas para a pesquisa foram divididas em grupos de acordo com a idade: dos quase centenários até os mais jovens. “Confrontando o que elas recordam do processo migratório, as lembranças dos nonos, das nonas, dos tios, dos avós, e como elas se ressignificam nas novas gerações”, pontuou.

Para Vilmar, a pesquisa é importante porque não se limitou a reproduzir o que já existe em outras literaturas. “Nós ressignificamos a tradição oral, compreendendo a partir das pessoas, dos mais idosos, de meia idade, dos jovens, o que elas recordam do processo imigratório, o que continua influenciando na vida delas”, comentou. Aí entra o ponto do catolicismo, religião trazida pelos imigrantes italianos e que até hoje permanece viva em toda a região. “Nós vemos que através dessa manutenção, desse desejo, dessa orientação metodológica de um modelo de fé, existe então o desenvolvimento territorial. Isso é profundo porque nós não podemos fazer a leitura do desenvolvimento territorial da história desse município sem fazer uma leitura da própria fé católica”, observou. O doutor Vilmar Dal Bó Maccari falou mais sobre a sua pesquisa em entrevista ao Ponto de Encontro. Confira:

 

O pesquisador afirmou que, através da fé católica, os imigrantes italianos começaram a organizar a região que posteriormente ficou conhecida como Treviso, seja na vida social, econômica ou política. “Nós descobrimos que, no Brasil, só existem duas paróquias dedicadas ao Santo Alexandre de Bérgamo. Uma em Santa Catarina e uma outra paróquia no estado do Pará. E por que isso, então? Porque se refere ao Santo Alexandre de Bérgamo, na Itália”, disse. “Os documentos que estão lá (Itália), os documentos que estão aqui (Brasil), essa devoção continuada, que chega em 1891, vai dando um modelo de identidade geográfica, um modelo de territorialidade, um modelo de dialeto, um modelo de costume que é plantado na nova Treviso brasileira, ou seja, na nossa Treviso”, relatou. Para o pesquisador, compreender o passado é essencial para pensar o futuro das comunidades. Segundo ele, reconhecer a história, os valores e as tradições que deram origem ao município pode contribuir para orientar políticas e iniciativas de desenvolvimento local, respeitando a identidade cultural construída ao longo das gerações.

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