Com recentes repercussões na imprensa internacional, o vírus Nipah é uma infecção classificada como emergente. A doença foi descoberta em 1998, principalmente na região da Índia e Malásia, onde já foram registrados surtos durante os anos. De acordo com a médica infectologista Eletania Esteves de Almeida, o Nipah preocupa pelo alto índice de letalidade e por ainda não existir uma vacina ou um medicamento contra a doença. Segundo a doutora, o Nipah se trata de uma zoonose, ou seja, é transmitida de um reservatório animal para o humano. “O reservatório desse vírus é um morcego que come frutas e ele é de um gênero que existe lá na Ásia. Esse morcego está por toda a Ásia, na Índia, Malásia e também na Austrália”, disse. “As pessoas entram em contato com essas frutas contaminadas e adquirem a doença. Ele também pode contaminar porcos e as pessoas que comem a carne do porco contaminada também podem pegar essa doença”, acrescentou.
Segundo a infectologista, os sintomas de uma pessoa contaminada com o Nipah evoluem muito rápido. Eletania explicou que os sintomas iniciais são dores de cabeça, dores musculares e de garganta. “Ela evolui muito rápido e pode atingir a parte neurológica, ela dá uma encefalite, inflama o cérebro e isso acontece em poucas horas. Então essa pessoa, quando tem essa encefalite, compromete o cérebro, ela começa a ter alterações de memória, sonolência. Quando ela começa a ter esse tipo de sintoma relacionado ao cérebro, ela progride, evolui de 12 a 48 horas para o coma”, contou. Conforme a doutora, a pessoa contaminada pode transmitir a doença para outra pessoa através de gotículas da mucosa oral, como espirros e tosses, já que o vírus também pode comprometer o pulmão. “Mas, para um ser humano contaminado transmitir para outro ser humano, precisa de um contato muito próximo, tipo menos de um metro de distância, e um tempo muito prolongado de aproximação, ali um tempo bem longo, tipo mais de duas horas”, esclareceu.
De acordo com o Ministério da Saúde, o surto recente registrado na Índia teve dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, e nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira. Além disso, foram identificados na Índia 198 contatos dos casos confirmados, todos monitorados e testados com resultado negativo. O último caso foi registrado em 13 de janeiro, indicando que o evento se aproxima do fim do período de monitoramento. “As pessoas da área da saúde que cuidam dessas pessoas e que não usam luva, máscara, avental, que não usam equipamento de proteção individual, elas também podem adquirir. Então existe um contato de humano para humano, mas nestas condições até agora registradas”, reforçou a médica. A especialista ainda afirmou que a transmissão do Nipah se difere da transmissão do Covid-19. No caso do Nipah, a pessoa adoece muito rápido e apresenta sintomas graves em pouco tempo, o que impede que ela continue circulando, indo ao trabalho ou a outros lugares, fazendo com que a transmissão fique restrita, em geral, a quem está cuidando do paciente. Já no Covid-19, a pessoa pode ficar vários dias com sintomas leves ou até sem sintomas, conseguindo circular normalmente e frequentar diversos locais, o que facilita a disseminação do vírus.
Mesmo assim, diante do surto de Nipah na Índia, as autoridades adotaram medidas rápidas de isolamento e vigilância, o que ajuda a controlar a doença e evitar que ela se espalhe para outras regiões. A doutora Eletania explicou mais detalhes do assunto em entrevista no programa Ponto de Encontro. Entenda mais:
Embora tenha sido registrado um surto na Índia, nenhuma morte pelo Nipah foi registrado até o momento. Segundo a infectologista, o risco da doença chegar ao Brasil é considerado baixo. “Se a gente falar que não tem nenhum risco, a gente não fica vigilante também. A gente precisa estar em vigilância sempre. É uma doença que não tem vacina, não tem tratamento, é uma doença que mata 75% das pessoas que adoecem. Então não ter risco não é uma forma de a gente ver a situação”, comentou, acrescentando que pode haver situações inesperadas, principalmente no atual mundo globalizado. “O risco é baixo, mas não é impossível”, alertou. Eletania ainda pontuou que uma das características do Nipah é a sua grande taxa de mutação a vários ambientes. “Hoje em dia as informações que todos nós sabemos é que existe esse vírus, como são os sintomas e de onde ele vem”, comentou. “A gente tendo a informação, a gente consegue ou nos afastar ou levar essa pessoa para assistência, de alguma forma impedir que ela dissemine a doença se tiver aqui no nosso meio”, complementou.






































