O dia 6 de janeiro marca tradicionalmente as celebrações do terno de reis, ligadas ao nascimento de Jesus e à visita dos Reis Magos. Em Cocal do Sul, a data também é sinônimo de tradição, fé e encontro com a passagem do grupo Estrela do Oriente, que mantém viva a manifestação cultural trazida de Portugal e preservada na região por pessoas que se envolvem com a devoção.
Neste ano, além das apresentações realizadas nos bairros e comunidades, o grupo também esteve nos estúdios da Rádio Marconi, onde participou de uma apresentação especial durante o programa Ponto de Encontro, levando ao público um pouco da história, da simbologia e das canções que marcam a tradição. Ouça:
Parte 01
Parte 02
Criado em 2019, o grupo Estrela do Oriente surgiu a partir do desejo de resgatar uma prática antiga que, em muitos lugares, acabou se perdendo ao longo do tempo. Logo no primeiro ano, a iniciativa ganhou força e o grupo passou a crescer de forma significativa. Atualmente, as apresentações contam com números expressivos. “Ontem, por exemplo, nós estávamos em 56 componentes. Hoje a gente ultrapassa 70, chegando a quase 80 pessoas, entre músicos, coral e equipe de apoio”, relatou Fernando de Faveri, um dos fundadores do grupo sulcocalense.
Por conta desse crescimento, o formato das apresentações precisou ser adaptado. Diferente do modelo tradicional, que visita casas, o grupo passou a se apresentar em frente às igrejas do município, reunindo moradores das comunidades próximas. A proposta apresenta um momento de partilha, com café, bolo e outros alimentos levados pelos próprios participantes, em um momento de convivência entre os moradores. “Às vezes, pelo trabalho, a gente acaba não conversando nem com os vizinhos ao longo do ano. Ali é o momento de confraternizar”, ressaltou.
A apresentação segue uma sequência organizada, com início, meio e fim, respeitando o ritual do terno de reis. O repertório inclui músicas tradicionais, o hino de reis conhecido popularmente e uma canção autoral que narra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Durante o momento central, são entregues os símbolos do ouro, do incenso e da mirra, representando os presentes levados pelos reis. “É sempre dado um presente para famílias da comunidade, que são incensadas e recebem o incenso como lembrança”, explicou Fernando.
Além da religiosidade, o grupo também representa uma importante manifestação cultural. A distribuição de mudas de mirra, por exemplo, tornou-se uma marca do Estrela do Oriente. Durante a passagem pela Rádio Marconi, uma muda foi entregue à emissora como gesto simbólico de continuidade e esperança. “A gente tem que plantar e acreditar que a planta tem vida, ela cresce. Assim como a história do nosso terno”, disse Fernando.
A participação feminina também tem aumentado dentro do grupo, fortalecendo o coral e enriquecendo a sonoridade das apresentações. “No começo eram poucas mulheres, agora tem uma turminha boa mesmo. O timbre feminino soma bastante”, destacou a integrante Eladir Galli, ao comentar a evolução do grupo.
Com apresentações realizadas em Cocal do Sul e também em cidades vizinhas, o Estrela do Oriente já projeta novos passos. A ideia é ampliar ainda mais o número de visitas e promover, em 2027, um grande encontro regional de ternos de reis, reunindo grupos de toda a região no dia 6 de janeiro.
Confira abaixo trechos da apresentação:






































