Com o período de férias escolares, é importante que as crianças e adolescentes mantenham uma rotina saudável, longe de longos períodos em telas, seja no celular, computador ou televisão. Isso porque é comum que o tempo de tela aumente nessa época. Para a neuropsicóloga infantojuvenil, Iara Mastine, é necessário apresentar outras opções de atividades para as crianças e adolescentes, além de orientar não ficar muito tempo nas telas. “É muito fácil a gente falar para os filhos ‘não fique muito tempo na tela’, mas o que a gente coloca no lugar?”, analisa. De acordo com a especialista, é preciso ter cuidado com o uso das telas porque ele prejudica o desenvolvimento da criança e do adolescente. “Ele atrapalha a atenção, atrapalha o desenvolvimento das funções executivas. Essa exposição de aplicativos, de falar com quem não conhece, de abrir a porta da sua casa para algum estranho”, cita.

Iara afirma que uma criança que não tem controle no tempo de uso da tela pode ter alterações funcionais cerebrais, tanto na parte de desenvolvimento como em comportamentos desadaptativos. “A Organização Mundial da Saúde fala de períodos de tela por idade. Então, de 0 a 2 anos, é zero de tela. Depois aumenta meia hora e vai aumentando gradualmente. O que acontece é que nas férias essa falta de atividade ou de rotina acaba aumentando demais. Existe sim um equilíbrio, os pais têm que ponderar, mas eu acredito que uma orientação ou um uso de tela ali fracionado, uma atividade que você coloque para a criança desenvolver, pode ser até um conjunto”, comenta. A profissional dá o exemplo de assistir a um filme e, depois, incentivar a criança a fazer uma reflexão sobre ele, ou até mesmo desenhar os personagens. “Trazer coisas que possam trazer mais estímulos para essa utilização de tela”, reforça.

A neuropsicóloga pontua que colocar limites nos filhos pode ocasionar um conflito com os pais. Isso acontece porque os pais querem colocar limites, mas não sabem o que colocar também no lugar. “Quanto mais faz sentido para a criança, maior ela adere aquele movimento, mas tem que proporcionar o que colocar no lugar. Então, levar a criança para brincar na casa dos amiguinhos, acho que é um movimento ali de muita troca e auxílio entre as famílias. Levar ao clube, promover atividades fora de casa. Tudo isso é fundamental para a gente poder estruturar”, comenta. O assunto foi abordado com mais detalhes com Iara no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e saiba mais:

 

A especialista ainda afirma que, para muitas crianças e adolescentes, sair do mundo das telas podem gerar um desinteresse por outras atividades. Por isso, uma dica é envolver os meios para que essa ruptura ocorra aos poucos. “Por exemplo, nós vamos para a rua, vamos jogar futebol, essa criança não tem esse costume, gera um desinteresse. Então, usa a tecnologia para fazer a conexão. Por exemplo, uma criança ali de 8 anos. ‘Olha, vamos na pracinha, a mamãe vai levar o celular e a gente vai tirar fotos de insetos diferentes’. Aí ele vai procurar, ele vai fazer a atividade, mas vai ter um momento de tirar a foto ali na tela, essa tela depois fica esquecida e ele consegue se envolver mais na brincadeira”, exemplifica. “Ou, vai jogar bola. ‘Olha filho, quero gravar você fazendo um gol de câmera lenta’. Faz sentido para a criança, porque o celular faz sentido para ele, a tela faz sentido, eu promovo essa brincadeira, dá cinco minutos o celular está guardadinho na bolsa”, acrescenta. “As crianças adoram conexão, basta uma pitadinha de criatividade”, enaltece.