A história, a cultura e a identidade dos povos originários foram destaque em uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro. Wanderley Donizete Baptista, descendente do povo indígena Xokleng-Laklaño, falou mais sobre a sua história durante a participação na programação da emissora. A entrevista ocorreu a partir de uma carta manuscrita, que foi enviada por Wanderley a Rádio Marconi nas últimas semanas. Natural de Orleans, onde até hoje continua como morador, Wanderley possui 50 anos de idade e é descendente de duas etnias: a indígena, por parte de pai, e afrodescendente, por parte de mãe. Wanderley passou a sua infância na comunidade de Três Barras e concluiu o Ensino Médio através do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em entrevista, Baptista contou que é técnico de Reabilitação para Dependente Químicos, formado pela Unibave.

Wanderley mora em uma casa tradicional, mas afirmou que seu sonho é morar em uma oca. “Eu vou ser sincero, eu não me considero um descendente, eu me considero um indígena”, disse. “A minha mãe contava que ela teve contato com os últimos indígenas da comunidade de Três Barra em torno de 1943, 1940. Eles trocavam alimento”, contou. “A língua macrogênica não foi ensinada, não sei o motivo. A minha avó não falava, a minha bisavó não falava português, mas eu tenho no sangue o DNA da cultura indígena. Desde criança a gente tem esse talento de andar no meio da mata”, comentou. Wanderley contou que, em 1986, passou a morar na comunidade de São Jerônimo, onde conheceu o padre Carlos Weck. Foi o sacerdote que deu a oportunidade para Wanderley escrever para um programa na Rádio Guarujá.

Poder escrever para um programa de rádio despertou o interesse de Wanderley pela escrita. O orleanense escreve diversos poemas, já tendo publicado uma obra através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), intitulada “Pensamentos de um Xokleng”. Atualmente, ele é membro da Acadêmica Orleanense de Letras (ACOL). Wanderley também contou que tem o sonho de aprender a falar, ler e escrever na língua indígena. “Essa escola de língua do povo Xokleng só tem no município de José Boiteux”, disse, acrescentando que ainda não teve a oportunidade de visitar a cidade e conhecer mais sobre o povo. “O cacique já veio ali em casa e hoje eu já estou em contato com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas)”, disse, afirmando que isso faz com que a fundação saiba da existência de um descendente no Sul catarinense. Wanderley falou mais sobre a história e a cultura indígena em entrevista. Ouça na íntegra e saiba mais:

Parte 01

 

Parte 02

 

Confira a entrevista também em vídeo:

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