A adultização é a exposição de crianças e adolescentes a responsabilidades e a comportamentos que são de adultos. O termo passou a ser mais discutido há duas semanas, quando o influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, divulgou um vídeo no YouTube sobre o tema, onde também fez denúncias de pessoas que expõem crianças e adolescentes na internet. Toda a discussão também gerou debates na Câmara dos Deputados, que aprovou na última semana um projeto de lei que estabelece regras para prevenção e combate a crimes contra crianças e adolescentes em ambientes digitais.
De acordo com Laura Mitkus Candido, psicóloga infantil, fora da internet, situações de adultização estão muito presentes no dia a dia. Um exemplo comum é quando as pessoas fazem brincadeiras sobre namoro entre duas crianças. “Isso é atribuir a criança uma coisa que é de adulto, que é namorar, que é ter esse tipo de relacionamento”, afirmou. “Ou, às vezes, a criança faz uma dancinha, alguma coisa diferente, e isso chama a atenção do adulto e acaba colocando uma perspectiva muito adultizada mesmo na criança”, salientou. Para Laura, situações e brincadeiras como essas estão naturalizadas na sociedade. “É uma coisa natural, acabou se estabelecendo na nossa cultura”, disse. Porém, há situações em que esse tipo de adultização está mais voltado à maldade.
Segundo a especialista, no caso da internet, crianças e adolescentes têm riscos ao serem expostos a certos conteúdos desde cedo. “Essa exposição muito precoce aos conteúdos e a comportamentos muito sexualizados podem trazer várias consequências psicológicas para a criança e para, futuramente, um adolescente, um adulto, que tem a ver com a questão da autoestima, da criança estar sempre buscando, por exemplo, agradar ou buscando uma imagem”, pontuou. “A gente está colocando na criança expectativas e cobranças que não cabem no desenvolvimento do cérebro dela naquele momento”, avaliou. Ouça mais detalhes do assunto na entrevista realizada com Laura:
A psicóloga ainda salientou que a própria adultização é uma forma de violência contra a criança e o adolescente. “A gente está ferindo um princípio fundamental da criança, que é ser criança, de ter acesso aos brinquedos, às brincadeiras, aos ambientes próprios da criança”, disse. Laura ainda alertou para a exposição das crianças na internet. “Tu posta o que tu quiser e qualquer pessoa pode ver, pode comentar, pode interagir, pode usar esse material de uma forma que a gente às vezes não imagina que vai ser usado”, ressaltou, acrescentando que o impacto disso não tem diferença entre meninos e meninas, porém, as meninas podem sofrer mais com a sexualização.
A profissional também reforçou que é necessário que a família converse sobre o tema com as crianças. Para a psicóloga, há dois pontos: a educação sexual, de explicar para a criança sobre o corpo dela e que ninguém pode tocá-lo, prevenindo abusos sexuais; e também o uso de telas. “Eu vejo que muitos pais não acompanham tão de perto o que a criança está fazendo ou o que ela está assistindo. Muitas vezes, a gente vê casos da criança estar lá no quarto, mexendo no computador, mexendo no celular, ou, às vezes, está do lado do sofá, mexendo no celular, e o pai e a mãe não estão vendo o que ela está assistindo, o que ela está fazendo na internet. Então, é esse acompanhamento de perto, de fato, não é só estar do lado”, salientou.






































