Quando a Tecnologia da Informação (TI) dava os seus primeiros passos na criação de computadores, o professor Antônio Gil já iniciava a sua atuação na área. Formado na década de 1960 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Antônio pode acompanhar toda a evolução da tecnologia até os dias de hoje. Todos os seus anos de experiência na TI foram descritos em um livro especial de sua autoria, intitulado “O lado humano da tecnologia – 60 anos de estórias”. “Por mais sofisticado que sejam as coisas – nós estamos vendo todos os dias nessa era de Inteligência Artificial, de computação quântica e outras coisas de satélite, tudo mais – é que qualquer coisa nesse setor sempre se transforma na relação entre dois seres humanos. Qualquer negociação mais complexa que se ouve a nível mundial, envolvendo países diferentes e etc., no fim das contas, é uma conversa entre dois seres humanos. Então, esse é o ponto central do livro”, contou.

Em entrevista, o professor Antônio relatou um dos episódios de sua vida que está registrado em seu livro. Por volta da década de 1980, Steve Jobs, criador da Apple, foi demitido da empresa e começou a pensar em novos projetos, na época, em computadores menores. “Para isso, ele escolheu quatro países onde ele iria desenvolver esse pequeno computador, os quatro países vieram: França, Coreia do Sul, Japão e Brasil”, disse. “O presidente Sarney, na época, me destacou para o contato com o Steve Jobs. Então, eu fui aos Estados Unidos para encontrar o Steve Jobs”, recordou. Conforme Gil, a casa do empresário norte-americano não possui nenhum móvel. “Ele me pediu uma série de dados para o Brasil poder participar. Maravilha! Eu saí da casa dele, dessa casa fantástica, sem móvel, e fui para Nova York para voltar para o Brasil. Me hospedei em Nova York em um hotel. Quando foi às duas horas da madrugada, tocou o telefone no meu quarto e eu atendi. Era o hotel dizendo ‘o senhor Steve Jobs para o senhor’. Eu pensei que ele estivesse falando no telefone, ‘pode passar’. Ele disse ‘não, ele está aqui na portaria lhe esperando’. Eu desci e ele falou ‘então, doutor Antônio, quais são os dados do Brasil?’ Eu falei ‘Steve, você precisa começar a conhecer o Brasil, eu não recebi ainda esses dados’. Infelizmente, nunca recebi os dados do Brasil, e o Brasil saiu fora desse projeto, e o Steve Jobs seguiu outro caminho”, descreveu.

Outro ponto abordado no livro, conforme o autor, é uma mensagem de esperança para o futuro. Para Gil, hoje, o Brasil é um dos países em que mais se utiliza da Tecnologia da Informação. “Em determinadas áreas, por exemplo, a área financeira, o Brasil é um dos países mais avançados no mundo no uso da Tecnologia da Informação”, disse. “A característica mais importante é que o Brasil nunca se recusou a se modernizar, ao contrário de outros países, que são bastante reticentes com o uso da tecnologia”, acrescentou. Segundo o professor, os brasileiros adicionaram a tecnologia em suas vidas de uma forma muito intensa. Antônio lembra que, na década de 1990, quando os primeiros celulares começaram a serem lançados, houve pessoas que afirmaram que o Brasil não utilizaria tanto a tecnologia. “O Brasil hoje tem mais de 300 milhões de celulares e é parte da vida de todos os brasileiros. Rapidamente, o Brasil aprendeu a usar isso e usa melhor do que muita gente”, pontuou. O programa Ponto de Encontro abordou mais sobre a TI e os avanços com o passar dos anos, além dos pontos abordados no livro, em entrevista com o professor Antônio. Ouça mais:

 

O livro “O lado humano da tecnologia – 60 anos de estórias” pode ser adquirido no site da Amazon clicando AQUI.

Sobre o autor

Antonio C. R. Gil tem formação em Engenharia de Produção pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), turma de 1960. Com uma trajetória marcante no setor de tecnologia da informação, ocupou cargos executivos de destaque. Foi COO da IBM no Brasil e CEO da empresa na Venezuela, além de ter presidido a Sociedade de Informática e Documentação (SID), em 1986, e a Lucent Technologies no Brasil, em 1993.

Em 1998, passou a atuar em parceria com o grupo de investimentos IT Partners, buscando oportunidades nos setores de TI e Telecom. Posteriormente, presidiu a CPM (hoje CPM CapGemini) e, entre 2007 e 2014, esteve à frente da Brasscom, a associação brasileira das empresas de tecnologia da informação.

Antonio Gil também tem presença relevante em conselhos estratégicos do País, como o de Desenvolvimento Econômico e Social, de Competitividade do Plano Brasil Maior e o da Fundação Vanzolini (ligada à Poli-USP). Sua atuação nesses colegiados reforça sua contribuição contínua para o avanço tecnológico e institucional do Brasil.