Permitir que crianças tenham acesso livre aos conteúdos das redes sociais e às telas em geral é caracterizado como abandono digital. Seja no celular, computador ou televisão, o conteúdo que os menores acessam ou assistem deve ser monitorado pelos pais e responsáveis. O professor Carlos André, mestre em Física e ativista em defesa dos direitos das crianças e adolescentes, ressalta que cada vez mais cedo as crianças têm acesso às telas. “Há muitas famílias que não entendem que chorar e reclamar faz parte do processo natural de evolução da criança. Então, em qualquer situação onde a criança sai do controle, sai daquela linha que o pai e a mãe consideram o normal, o interessante, elas já empurram o celular, uma tela na frente da criança, tentando acalmar, o que é muito ruim, vira-se um vício”, salienta.
Se os prejuízos do excesso de telas, como a falta de concentração, por exemplo, são notados nos adultos, imagina nas crianças. No caso das redes sociais, os vídeos curtos geram rápidas recompensas para o cérebro. “Poucas pessoas conseguem assistir uma série, assistir televisão, assistir um vídeo, um filme, sem estar mexendo em uma segunda tela, ou seja, elas não conseguem passar alguns minutos ou pior ainda, algumas horas, se concentrando em alguma coisa. Então isso diminui a capacidade de alguém, por exemplo, de estudar, aprender, e isso está acontecendo com o próprio adulto. Agora você imagina quando você condicionou uma criança, desde sempre, praticamente a partir do nascimento dela, nessa entrega curta e rápida. As consequências serão danosas para o resto da vida”, comenta. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com Carlos André no programa Ponto de Encontro. Ouça mais na íntegra e conheça sobre o tema:
Carlos André ainda esclarece que o abandono digital não diz somente a quantidade excessiva de tempo em que as crianças são expostas às telas. O tipo de conteúdo acessado pelos menores sem supervisão também está ligado. Isso porque, como exemplifica o especialista, diversos problemas podem ocorrer em um curto período de tempo quando uma criança está na internet. Além dos prejuízos no desenvolvimento, há também ataques de pedófilos. “Quando você abandona seu filho no digital você abre a possibilidade de contato dele com abusadores infantis que têm acesso e que sabem atacar a criança nesse mundo”, destaca. “A gente também tem que estar ligado que, hoje em dia, a criança é muito mais acessível a um pedófilo no mundo digital do que, por exemplo, dentro de um banheiro de shopping, que é um ambiente onde a gente tem visto muitos relatos de abusadores atacando crianças”, comenta Carlos.
O professor Carlos André é autor do livro “Como Agentes Públicos se Desviam e o Impacto no Direito das Crianças: Uma análise baseada no Modelo MICE”. A obra está disponível para ser adquirida na Internet. Clique aqui e confira.






































