A psicóloga Juliana Casado, palestrante e educadora emocional, foi a convidada especial do programa Ponto de Encontro desta segunda-feira, 27. Durante a entrevista, ela abordou temas como o impacto do Janeiro Branco na conscientização sobre saúde mental, a influência das redes sociais no bem-estar e a importância de estabelecer metas para uma vida mais equilibrada. Ouça a entrevista completa:

 

Janeiro Branco: um convite à conscientização

Inspirada por movimentos como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, a inciativa Janeiro Branco, criada em 2014, surge como um momento para refletir sobre a saúde emocional. Segundo a psicóloga, a escolha pela cor branca simboliza uma página em branco, pronta para ser escrita com escolhas mais conscientes e saudáveis. “Ele nasce aproveitando o clima do ano novo, vida nova, para lembrar as pessoas de incluírem nas suas metas, nos seus planos, ações e cuidados para a saúde mental. Então ele é branco justamente por causa da virada do ano. A gente utiliza essa cor para trazer esse conceito, trazer o objetivo da campanha que é a conscientização para o cuidado da saúde emocional e mental”, explicou.

Segundo Juliana, o movimento é um lembrete para que as pessoas priorizem o autocuidado e o equilíbrio emocional, assim como priorizam metas financeiras ou de carreira. “Inclua coisas que te tragam prazer, que te tragam qualidade, que traga boa relação consigo mesmo”, completou.

Metas para a saúde mental

Questionada sobre como estabelecer metas para cuidar da saúde mental, Juliana reforçou a importância de começar com pequenas ações.  “Não adianta eu criar uma meta que vou sair do Rio de Janeiro e vou andando até os Estados Unidos porque eu não vou conseguir. A minha bússola precisa ir até onde eu alcanço. Do contrário, ela vai ser um esforço e o excesso de esforço causa estresse no organismo e aí acaba prejudicando a nossa saúde mental e emocional”, alertou.

 “Beber água, ter uma boa qualidade do sono, não ingerir muitos alimentos com gordura e açúcar, escolher bem nossas relações. Aí outro passo, se eu perceber que tem uma desordem, eu preciso procurar o médico, uma saúde integrativa. Um passo maior, seguir o tratamento, manter a medicação”, esclareceu a profissional, destacando que a saúde mental não adoece de um dia para o outro, mas se agrava com pequenas negligências no dia a dia.

Redes sociais: aliada ou vilã da saúde mental?

Outro ponto lembrado pela psicóloga foi o impacto das redes sociais na saúde mental. Para Juliana, o uso excessivo pode levar a vícios emocionais e à perda de experiências significativas na vida real. “Por um lado ela traz informação, ela ajuda, né? Informação, muitas vezes, é o start para perceber que eu não tô bem, que eu preciso pedir ajuda. Então ela dá o start, ela tem um lugar ali de importância, ela não é o todo vilão. Mas ao mesmo tempo, quando a gente utiliza muito as redes sociais e a nossa vida fica restrita a essa telinha, a gente acaba fazendo um quadro, primeiro, vício, porque a gente acaba produzindo dopamina, serotonina de curta duração, então a gente vicia o nosso cérebro nesses pequenos prazeres. Dois, a gente perde um pouco da nossa experiência. Experiência de ir à vida, encontrar alguém, admirar algo belo no caminho que você vai para rua, de se experimentar mesmo. Então, o excesso de tela, muitas vezes, rouba da gente a nossa autoestima, que é a nossa autoconfiança de ir para o mundo e enfrentar o desafio, o nosso potencial de ser criativo, o nosso potencial de ser resiliente”.

A psicóloga também chamou a atenção para o papel das redes na autoestima: “Ela acaba se comparando com alguém da rede social, fica observando a vida dos outros e perdendo tempo ali, às vezes, está 10, 15, 20, meia hora em frente à tela e não se dá conta de que isso está prejudicando, né? A gente só se compara porque a gente não conhece o que a gente é. Se a gente se conhece realmente, a gente não vai se comparar, a gente vai simplesmente observar o que o outro está fazendo, vai perceber se cabe ou não na nossa vida, e o que é do outro a gente entrega, o que é nosso a gente vai tentar realizar. Então, quando a gente está em excesso de comparação, significa que a nossa autoestima já está abalada, a gente não conhece quem a gente é”, frisou a especialista.

Ações para um ano mais equilibrado

Juliana finalizou a entrevista com uma mensagem de incentivo. “A saúde mental precisa ser uma prioridade ao longo de todo o ano. O Janeiro Branco é um excelente ponto de partida, mas é fundamental manter o autocuidado, respeitar nossos limites e buscar ajuda quando necessário. Saúde mental é a base para todas as outras conquistas”.