O técnico do Criciúma, Zé Ricardo, recebeu a reportagem da Rádio Marconi na tarde desta sexta-feira, dia 17, no CT Antenor Angeloni, para um bate-papo sobre as expectativas para a temporada 2025. Durante a entrevista, Zé Ricardo avaliou o período de pré-temporada, comentou sobre a chegada dos novos reforços, falou sobre assumir o comando do clube em meio a um momento político indefinido e a utilização de atletas da base na equipe profissional. Ouça a entrevista completa:

Avaliação da pré-temporada
“É uma pré-temporada difícil. Para todos, a pré-temporada aqui no Brasil, cada vez, se estreita mais, e, este ano, os campeonatos estaduais começaram mais cedo. Com a gente não é diferente, já que o clube passa por uma reestruturação no seu elenco. A gente está tendo um trabalho dobrado, mas não menos gratificante, porque estou muito feliz com o que eles têm apresentado até agora. Vamos ver se a gente consegue, já no domingo, colocar algumas das coisas que nós treinamos e pensamos que podem dar certo”.
Reestruturação do clube
“Na verdade, a reformulação já é a terceira que eu estou passando. No Vasco, em 2022, nós começamos um trabalho lá, formamos a base do clube que subiu para a Série A em 2023. No Goiás, começamos um trabalho praticamente do zero também, com um grau de dificuldade até maior. O desafio era um pouco maior, porque, naquele momento, a faixa orçamentária do clube era mais restrita. Por estar no Goiás, montamos uma equipe competitiva. A gente teve dezesseis jogos, dez vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, e partiu muito mais do clube a decisão de interromper o trabalho. Mas eu tinha sinais, certamente, de que com aquele grupo que a gente estava iniciando, e depois com as promessas que tinham sido feitas para começar o Brasileiro com contratações mais frutuosas, a gente teria um grupo vencedor também. Saí com quase 80% de aproveitamento, mas isso agora já faz parte do passado. Certamente foram duas ocasiões que trouxeram para mim uma experiência, uma vivência importante nesse momento de preparação”.
Expectativas para ter uma continuidade de trabalho
“Esse foi um dos assuntos que tivemos com o Juliano Camargo, logo depois com a direção do clube, que, assim, eu sou um tipo de treinador que compra a ideia do clube. Vou trabalhar para o clube, não só para um jogador ‘A’, um jogador ‘B’. A gente tem que fazer um trabalho visando o médio e longo prazo. Então, o exemplo do Claudio Tencati, na passagem vencedora que ele teve, certamente dá um sinal para o mercado de treinadores que o Criciúma, não à toa, vem crescendo da maneira como vem crescendo nos últimos anos. Não só pelos títulos, mas também pela maneira respeitosa que tem com seus profissionais. Logicamente, a gente sabe que, no final, o resultado acaba influenciando bastante, mas, por se tratar de um momento de reconstrução, a gente entende que a gente vai ter que ter um pouco mais de paciência para que todos os jogadores, depois que chegarem, possam começar a dar o resultado. Mas a expectativa é muito boa, pensando sempre positivo, entendendo que, pra mim, na carreira, é fundamental ter essas características no clube que eu escolhi. E o Criciúma me ofereceu tudo isso”.
Situação política do clube
“Bom, inédito não chega a ser, porque no Vasco da Gama a gente também pegou uma transição bastante turbulenta entre 2017 e 2018. O Eurico Miranda era o presidente, que depois saiu e entrou o Alexandre Campello, também numa eleição bastante conturbada. Mas aqui não foi o caso nem de eleição. O Alexandre Farias realmente me apresentou o clube, mas ele próprio já tinha me passado que poderia haver algum tipo de mudança, que era um processo que já estava em andamento e não começou naquele momento. O fato é que, tanto o Alexandre como o Minotto, me passaram que, independente de quem estivesse ali à frente, os planos e a ideia do clube não mudariam. Então, fico mais tranquilo em relação a isso. Não interferiu em nada o planejamento e a preparação até aqui, nem a mim, nem a ninguém da comissão, e muito menos os jogadores. Então, a gente deixa realmente essa parte política para que seja solucionada por aqueles que têm o direito ou dever de fazer isso, para que a gente consiga focar aqui e possa, dentro do campo, dar o retorno que todos esperam”.
Contratações e condições de jogo de Caíque e Luciano Castán
“A gente está fazendo uma avaliação minuciosa dos dois, como todo clube faz, realizando não só avaliações isocinéticas, para verificar exatamente qual a condição de cada um. Não só eles dois, mas todos passaram por esse tipo de avaliação, porque a gente entende que o objetivo é maior do que essa estreia, que já vale um título importante. Mas a gente quer os atletas no mínimo de condição possível. Dois, três meses de ausência certamente são prejuízos muito maiores”.
Kauã e Ruan estão prontos, se precisar?
“Eu penso que, uma hora, eles vão ter que estar prontos. Uma hora eles vão ter que estrear. Pelo que eu vi nos treinamentos, foram 13 dias de treinamento, 18 sessões, e os dois me passaram muita confiança. A gente entra naquela velha história – só pode ter o emprego se tiver experiência. Se a gente não der experiência para eles, como é que eles vão chegar lá e vão conseguir o emprego? Então, tenho tranquilidade. Eu acho que quem joga futebol sabe que a identidade pouco importa, é aquilo que ele tá rendendo dentro de campo. Lógico que a experiência conta, porque passou por aquilo ali mais vezes e certamente vai dando cancha, mas, se os dois tiverem que entrar, ou de início ou durante a partida, eu estou tranquilo. Eu acho que o torcedor carvoeiro pode guardar expectativas, sim, positivas dos atletas”.
Expectativas para a temporada do Jhonata Robert
“Tem sido uma pré-temporada boa para ele, né? Está conseguindo completar a pré-temporada sem nenhum tipo de problema físico. Ou seja, ele está conseguindo completar toda a pré-temporada. Percebe-se que o ritmo de jogo dele ainda está abaixo do que ele pode render. Busquei informações, não só de pessoas que estiveram com ele aqui no ano passado, mas também de pessoas que trabalharam com ele no Grêmio. É realmente um jogador que tem uma capacidade técnica muito grande. Logicamente, isso cria para a gente uma expectativa boa, mas vamos ter calma com ele e com todos, para que ele esteja na melhor forma física dele para poder render o melhor também. Não quero botar pressão em cima de nenhum atleta, porque eles têm que ter tranquilidade e calma para poder desenvolver o melhor possível. Mas as informações e o que eu tenho visto são sinais que nos dão sinais de que ele possa ter uma grande temporada”.
Cenário do Campeonato Catarinense
“Eu vejo o Campeonato Catarinense com um equilíbrio muito grande, um dos mais equilibrados do Brasil. Talvez a gente possa falar que não seja o mais difícil, porque temos grandes centros capitalistas no Brasil que têm condições de fazer e trazer jogadores de um nível muito alto. Mas, a nível de equilíbrio, não tenho dúvida de que o futebol catarinense é o que apresenta maior equilíbrio. Até porque, além das duas equipes da capital, as demais equipes representam uma cidade inteira, assim como o Criciúma. Então, é sempre difícil jogar fora de casa, e o nível técnico é cada vez maior, com grandes comissões técnicas. Tanto é que, tendo em vista o que aconteceu na primeira rodada, tivemos apenas uma vitória e três gols. Ou seja, a gente espera um campeonato extremamente difícil para a gente. Acho que o Criciúma, com essa reformulação toda, faz com que a gente tenha saído um pouco atrás no que diz respeito à preparação. Já que fomos o último clube a voltar a treinar, temos pouco tempo de trabalho. Não conseguimos fazer nenhum jogo-treino porque os adversários já tinham compromisso, e isso acabou atrapalhando, porque a gente tinha planejado pelo menos um jogo-treino. Mas é o que temos, e a gente não vai usar isso como nenhuma muleta. As equipes que mantiveram suas comissões técnicas e a sua base, como o Avai e a Chapecoense, talvez tenham um ponto à frente, porque, além disso, também começaram o treinamento mais cedo do que a gente. Mas eu tenho certeza de que, com a capacidade dos nossos atletas, com a estrutura que o nosso clube oferece e com a vivência que nós já temos, a gente pode tirar essa diferença pelo trabalho”.
De Marco Antonio Medeiros








































