Desde muito nova, Nádia Mafra sentia uma atenção especial pela bateria em todos os shows musicais que frequentava. Já nessa época, Nádia se questionava como os bateristas conseguiam manter tanta coordenação motora para tocar o instrumento. Ao se aposentar, aos 54 anos de idade, Nádia decidiu fazer uma aula experimental de bateria. Hoje, passados 10 anos, Nádia continua praticando e participando de orquestras de bateria. A reinauguração da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, e um evento especial ao nascer do sol na Serra do Rio do Rastro são algumas orquestras que Nádia já participou. Para as próximas, a baterista de 64 anos planeja participar do Benedetta Drum Fest, que acontece em Urussanga no próximo dia 30 de novembro.
Nádia mora em São José, próximo à capital catarinense. Nesses 10 anos tocando o instrumento, a baterista já passou por situações que considera inusitadas, mas que ainda estão marcadas na memória. Como a vez em que os vizinhos chamaram a polícia por conta do barulho da bateria. “Aí eu assim ‘ah, é que eu tô estudando, mas é só por meia horinha, é que eu tô tocando, eu tenho que tirar três músicas e tal’. Aí ele assim: ‘é a senhora que está tocando?’, eu disse: ‘é’, ‘vai, toca, pode tocar, só que baixa só um pouquinho o volume’, ele assim para mim”, relembra. A história de Nádia e sua relação com a bateria foi destaque em entrevista, conheça mais:
A baterista ainda destaca que a relação com a família tem sido muito boa, mesmo aprendendo uma nova arte após a aposentadoria. “A minha mãe ia nos encontros, a minha mãe morreu com quase 102 anos. Ela ia nos encontros, ficava na minha frente, me aplaudindo, sabe? É algo que não tem explicação, a mãe da gente com mais de 100 anos fazendo isso”, afirma. Antes do instrumento, Nádia trabalhava na Fundação de Educação Especial, sendo que depois montou uma empresa de salgados. A empresa acabou sendo vendida devido a problemas de saúde. “Foi onde me aposentei de vez, parei de trabalhar, então ‘agora vou focar em mim. Os filhos crescidos, cada um indo para sua casa, e agora chegou minha vez, agora vou pensar em mim'”, conta Nádia.
A vida de Nádia melhorou muito após ter começado a tocar bateria. “Eu tenho uma doença reumática séria há mais de 20 anos. Mudou a minha vida totalmente. Eu sinto dores, inclusive, mas quando eu estou tocando bateria, não tem dor nenhuma”, salienta. “Eu não toco em banda, mas eu sou uma metida. Eu quando vou em shows, eu sempre peço se posso tocar uma sozinha, deixa eu dar uma palhinha. A galera me conhece, eu sempre dou uma palhinha, sempre toco uma sem ensaiar e dá tudo certo”, complementa a baterista. Coldplay, Foo Fighters, ACDC e Metallica são algumas das bandas favoritas de Nádia, que sempre treina as músicas dos artistas na bateria. “Botou alguma música na minha frente, eu escuto ela algumas vezes, umas duas, três, quatro e já vou na bateria e tiro. Então, eu não tenho dificuldade porque tiro de ouvido, então qualquer música que rolar eu toco”, afirma.
Nádia Mafra também está presente nas redes sociais. Confira:
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