A obesidade é uma doença crônica causada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. O Índice de Massa Corpórea (IMC) é usado para calcular se a pessoa está com sobrepeso ou não. A obesidade pode causar alterações metabólicas, como diabetes, gordura no fígado, pressão alta, infarto ou derrame, e até mesmo o câncer. Existem diversos fatores que podem levar uma pessoa a ter obesidade, muito além de somente a opção de alimentação.

Conforme o endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, doutor Ricardo Barroso, a alteração genética também influencia, e muito, nos casos de obesidade. Para o especialista, achar que comer menos e praticar atividades físicas é válido não é tão simples. “Quanto maior o grau de obesidade maior a chance de você ter uma alteração genética que predispõe a obesidade”, destaca.

O doutor Ricardo participou do programa Ponto de Encontro e falou mais sobre o assunto. Ouça na íntegra:

 

doutor Thiago Fraga Napoli, que também é especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, ressalta que a obesidade está crescendo muito no Brasil. “Ela é principalmente uma doença de quem come de uma forma desequilibrada, não necessariamente muita coisa, mas coisas que têm muita caloria e que não sacia, não matam a fome direito e a pessoa acaba comendo mais”, comenta.

Napoli ainda fala sobre a situação do país, no qual vive uma insegurança alimentar, em que milhares de pessoas sobrevivem com alimentos de cesta básica. “Ela não come uma salada, não come fruta direito, ela acaba comendo só enlatado, farinha, açúcar, gordura industrializada. Então é uma epidemia no Brasil com índices que vem aumentando muito”, fala. “Não é só uma questão de mudança de hábito, é uma doença que tem vários fatores”, acrescenta.

Muitas pessoas associam a obesidade a comer muito e a falta de atividade física. “Não é bem por aí, porque se fosse tão fácil assim era só mudar as coisas e manter”, frisa o doutor Thiago. Para o especialista, o tratamento possui diferentes formas de agir, não se tem como agir diretamente na causa. “Tem muitas causas de alteração, de bactérias do intestino, alteração de ciclo do sono, causas genéticas”, comenta. “Tem fatores ambientais, poluição, tem um monte de coisa associada à obesidade, mas quando a gente pensa em tratar, a gente tem que pensar nas coisas que a gente consegue mexer, e aí são, principalmente, a dieta e atividade física”, explica.

O Ponto de Encontro também abordou o assunto com o doutor Thiago. Confira:

 

Thiago também esclarece sobre a relação da obesidade com o ambienta familiar. Crianças que crescem em um ambiente em que tem uma alimentação inadequada, com alta gordura, muito açúcar e baixa fibra, que não incentiva a prática de atividades físicas, podem desenvolver o problema. “Tem uma correlação muito grande entre desestruturação do lar e falta de opção alimentar, com muito tempo de tela, pais sobrecarregados do trabalho, que não conseguem dar atenção nem para eles nem para os filhos. A disruptura desse ambiente leva ao ganho de peso”, comenta.

IMC

O índice é calculado da seguinte maneira: divide-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. Diz-se que o indivíduo tem peso normal quando o resultado do IMC está entre 18,5 e 24,9.